Trauma Cranioencefálico: Manejo do Hematoma Extradural

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Um menino de dez anos de idade, vítima de trauma cranioencefálico, foi levado ao hospital pelo resgate após queda do telhado de uma altura de 5 m. Deu entrada na emergência com Glasgow = 13, evoluindo com crise convulsiva, tratada adequadamente com medicação. Foi realizada, ainda, uma tomografia de crânio que apresentou a imagem seguinte. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Deve ser garantida via aérea com intubação, orotraqueal, pois o paciente apresentou crise convulsiva.
  2. B) A medicação anticonvulsivante de escolha para o paciente deverá ser um benzodiazepínico.
  3. C) Devido à imagem tomográfica de hemorragia subdural, o tratamento deverá ser conservador, com observação neurológica por 12h-24h.
  4. D) Corticoide está indicado devido ao edema cerebral ao redor do sangramento.
  5. E) Deve ser considerada a neurocirurgia com drenagem de hematoma extradural.

Pérola Clínica

TCE com hematoma extradural: emergência neurocirúrgica, drenagem é o tratamento de escolha.

Resumo-Chave

O trauma cranioencefálico (TCE) pode levar a diversas lesões intracranianas. Um hematoma extradural (ou epidural) é uma emergência neurocirúrgica clássica, geralmente causado por ruptura da artéria meníngea média, com imagem tomográfica biconvexa. A rápida deterioração neurológica e a presença de uma lesão com efeito de massa indicam a necessidade de drenagem cirúrgica.

Contexto Educacional

O trauma cranioencefálico (TCE) é uma causa comum de morbimortalidade, especialmente em crianças e jovens. A avaliação inicial de um paciente com TCE deve seguir os princípios do ATLS, focando na estabilização da via aérea, respiração e circulação, além da avaliação neurológica com a Escala de Coma de Glasgow (ECG). A crise convulsiva pós-traumática é uma complicação que requer tratamento imediato, geralmente com benzodiazepínicos. A tomografia de crânio é essencial para identificar lesões intracranianas. O hematoma extradural (HED) é caracterizado por acúmulo de sangue entre a dura-máter e o crânio, frequentemente associado à ruptura da artéria meníngea média. Na TC, apresenta-se como uma lesão hiperdensa biconvexa que não cruza as suturas. O HED é uma emergência neurocirúrgica devido ao risco de rápida expansão e herniação cerebral. O tratamento definitivo é a drenagem cirúrgica. Corticoides não são indicados rotineiramente no TCE, pois não demonstraram benefício e podem aumentar a mortalidade. A intubação orotraqueal é indicada para proteção de via aérea em pacientes com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8) ou instabilidade respiratória, mas não é automaticamente indicada apenas por uma crise convulsiva isolada se o paciente recupera o nível de consciência.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre hematoma extradural e subdural na tomografia?

O hematoma extradural tipicamente apresenta uma forma biconvexa (lenticular) e não cruza as linhas de sutura, enquanto o subdural é em forma de crescente (concavoconvexo) e pode cruzar as suturas, mas não o tentório.

Quando a intubação orotraqueal é indicada em pacientes com TCE?

A intubação é indicada para proteção de via aérea em pacientes com Glasgow ≤ 8, ou naqueles com risco iminente de deterioração neurológica ou insuficiência respiratória, mesmo com Glasgow > 8.

Qual o tratamento de escolha para o hematoma extradural?

O tratamento de escolha para o hematoma extradural, especialmente se sintomático ou com volume significativo, é a drenagem cirúrgica de emergência para aliviar a pressão intracraniana.

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