UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Menino, 9 meses, sofreu queda do colo do pai (cerca de 1m de altura) há cerca de 1 hora, com trauma na região parietal da cabeça. Teve 2 episódios de vômito. Exame físico: choroso, consolável, Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes; crânio: deformidade compatível com fratura e afundamento. A INDICAÇÃO DE REALIZAR TOMOGRAFIA DE CRÂNIO É DEVIDO A:
Deformidade craniana (fratura afundamento) em TCE pediátrico = indicação ABSOLUTA de TC de crânio.
A presença de deformidade craniana compatível com fratura e afundamento em um trauma craniano pediátrico é uma indicação formal e urgente para a realização de tomografia de crânio, independentemente de outros achados, devido ao alto risco de lesão intracraniana subjacente.
O trauma craniano (TCE) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças. A avaliação de um TCE pediátrico requer atenção especial devido às particularidades anatômicas e fisiológicas da criança, que a tornam mais vulnerável a certas lesões. A decisão de realizar uma tomografia computadorizada (TC) de crânio é crucial para identificar lesões intracranianas e evitar irradiação desnecessária. Existem diretrizes clínicas, como as PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network), que auxiliam na decisão de realizar TC. Fatores como idade, mecanismo do trauma, presença de vômitos, perda de consciência, irritabilidade, cefaleia e, principalmente, sinais de fratura de crânio são considerados. A presença de uma deformidade craniana compatível com fratura e afundamento é um sinal de alto risco que exige TC de crânio imediata, pois indica uma lesão de impacto significativo e potencial comprometimento cerebral. Mesmo com um Glasgow de 15, a presença de uma fratura com afundamento é um achado crítico que supera outros fatores de baixo ou médio risco. A TC permite visualizar a extensão da fratura, a presença de fragmentos ósseos intracranianos e a ocorrência de hematomas ou contusões. O manejo subsequente dependerá dos achados da TC, podendo variar de observação a intervenção neurocirúrgica.
Critérios de alto risco incluem Glasgow < 15, sinais de fratura de base de crânio, fontanela abaulada, convulsões, déficits neurológicos focais, e suspeita de fratura com afundamento ou não acidental.
A fratura com afundamento indica uma lesão de alta energia e está associada a um risco significativo de lesões intracranianas subjacentes, como hematomas epidurais ou subdurais, contusões cerebrais e lacerações durais, que podem requerer intervenção cirúrgica.
Vômitos isolados, especialmente se forem poucos episódios e a criança estiver consolável e com Glasgow 15, podem não indicar TC. No entanto, vômitos persistentes ou associados a outros sinais de alerta aumentam a preocupação e a necessidade de imagem.
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