UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Um paciente de 45 anos é admitido no pronto-socorro após um acidente automobilístico, apresentando dor torácica e contusões no tórax. Durante a avaliação inicial, o paciente apresenta sinais de hipotensão e taquicardia sinusal inexplicada. Considerando os mecanismos e manifestações do trauma contuso cardíaco (TCC) descritos na literatura, qual das seguintes alternativas melhor descreve a abordagem diagnóstica e o manejo inicial do trauma contuso cardíaco?
ECG alterado ou taquicardia inexplicada no trauma → Monitorização cardíaca contínua por 24h.
O ECG é a ferramenta de triagem mais sensível para trauma contuso cardíaco; alterações como arritmias ou novos bloqueios exigem vigilância hospitalar imediata.
O trauma contuso cardíaco (TCC) ocorre frequentemente em acidentes automobilísticos por desaceleração brusca ou impacto direto no esterno. A fisiopatologia envolve desde contusões miocárdicas leves até rupturas de câmaras ou valvas. A manifestação mais comum é a arritmia, sendo a taquicardia sinusal a mais frequente, seguida por extrassístoles e bloqueios. O manejo baseia-se na estabilização hemodinâmica e na triagem rigorosa com ECG. Pacientes jovens, sem comorbidades e com ECG inicial normal podem receber alta com segurança após a avaliação das outras lesões do trauma. Já pacientes com alterações eletrocardiográficas ou instabilidade devem ser manejados em ambiente de terapia intensiva ou semi-intensiva.
O ECG de 12 derivações é o exame inicial mais importante. Se for normal, o risco de complicações cardíacas significativas é extremamente baixo. Se apresentar alterações como taquicardia sinusal inexplicada, fibrilação atrial, bloqueios de ramo (especialmente o direito) ou alterações de ST-T, o paciente deve ser admitido para monitorização cardíaca contínua por pelo menos 24 horas devido ao risco de arritmias letais.
A troponina possui um alto valor preditivo negativo; se o ECG e a troponina forem normais, a lesão cardíaca contusa pode ser excluída com segurança. No entanto, sua especificidade é baixa no trauma, pois pode elevar-se por contusões musculares ou outras lesões. Ela é útil como adjunto ao ECG, mas não substitui a necessidade de monitorização se o ECG estiver alterado.
O ecocardiograma (transtorácico ou transesofágico) está indicado em pacientes com instabilidade hemodinâmica inexplicada, arritmias graves ou quando há suspeita de lesões estruturais, como ruptura de valvas, septos ou tamponamento cardíaco. O FAST no pronto-socorro foca principalmente na detecção de líquido pericárdico.
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