UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2018
Paciente do sexo masculino, 23 anos, é trazido para avaliação no pronto-socorro, após traumatismo decorrente de mergulho em piscina rasa. Apresenta dispneia e ausência de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa dos ombros para baixo. Radiografia do tórax mostra elevação das cúpulas diafragmáticas. Pressão arterial sistólica = 80 mmHg. O diagnóstico mais provável é:
Mergulho + hipotensão + paralisia diafragmática → Trauma de coluna cervical (C3-C5).
Lesões cervicais altas (C3-C5) comprometem o nervo frênico, causando paralisia diafragmática, e interrompem a via simpática, resultando em choque neurogênico.
O trauma raquimedular (TRM) cervical é uma emergência neurológica comum em acidentes de mergulho em águas rasas devido ao mecanismo de hiperflexão ou compressão axial. A lesão da medula espinhal em níveis altos tem repercussões sistêmicas graves, incluindo a falência respiratória por denervação do diafragma e o choque neurogênico. O choque neurogênico deve ser prontamente reconhecido pela dissociação entre pressão arterial baixa e frequência cardíaca que não sobe. A fisiopatologia envolve a perda da resistência vascular periférica por vasodilatação maciça. O tratamento envolve a reposição volêmica cautelosa e, frequentemente, o uso de vasopressores com atividade alfa e beta-adrenérgica para restaurar o tônus vascular e a cronotropia.
A elevação ocorre devido à paralisia do músculo diafragma. O diafragma é inervado pelo nervo frênico, cujas raízes originam-se nos níveis cervicais C3, C4 e C5. Um trauma cervical alto que atinja esses níveis interrompe o estímulo motor, levando à perda do tônus diafragmático e consequente elevação na radiografia.
O choque neurogênico resulta da perda do tônus simpático abaixo da lesão medular, manifestando-se com hipotensão associada a bradicardia ou frequência cardíaca normal (ausência de taquicardia compensatória) e extremidades quentes. O choque hipovolêmico apresenta hipotensão com taquicardia compensatória, palidez e extremidades frias.
O manejo foca na imobilização cervical rigorosa (colar cervical e prancha rígida), manutenção da perfusão medular (objetivando PAM entre 85-90 mmHg) e suporte ventilatório precoce, especialmente em lesões acima de C5 que comprometem a função respiratória.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo