Manejo do Trauma Colônico: Anastomose Primária vs Colostomia

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente com trauma colônico único atingido por arma de fogo, foi atendido uma hora após o incidente e hemodinamicamente estável. Cirurgia apresenta lesão de cólon sigmoide extensa (mais de 50% da circunferência colônica). A conduta mais adequada neste caso é:

Alternativas

  1. A) Rafia da lesão com ileostomia de proteção.
  2. B) Exteriorização da lesão em forma de colostomia.
  3. C) Sigmoidectomia com anastomose primária.
  4. D) Rafia da lesão com colocação de dreno tubular.
  5. E) Rafia da lesão, colostomia de proteção e fístula mucosa.

Pérola Clínica

Trauma colônico em paciente estável + < 6h + sem contaminação maciça → Anastomose primária.

Resumo-Chave

A conduta moderna no trauma colônico prioriza a anastomose primária em pacientes hemodinamicamente estáveis, independentemente da extensão da lesão (>50%), desde que não haja peritonite fecal grave.

Contexto Educacional

O manejo das lesões colônicas evoluiu significativamente nas últimas décadas. Antigamente, seguindo os preceitos da Segunda Guerra Mundial, a colostomia era obrigatória para quase todas as lesões. Estudos contemporâneos demonstraram que a anastomose primária (com ou sem ressecção) apresenta taxas de complicações similares ou menores que a colostomia em pacientes selecionados. A decisão cirúrgica deve ser guiada pelo estado fisiológico do paciente (pH, temperatura, coagulopatia) e pela carga de contaminação. Em pacientes estáveis atendidos precocemente, a sigmoidectomia com anastomose primária é segura e evita a morbidade de uma segunda cirurgia para fechamento de colostomia.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para realizar anastomose primária no trauma de cólon?

Os principais critérios incluem estabilidade hemodinâmica (ausência de choque persistente), tempo decorrido desde o trauma (geralmente < 6-8 horas), ausência de lesões vasculares mesentéricas graves que comprometam o suprimento sanguíneo e ausência de contaminação fecal maciça da cavidade peritoneal. Atualmente, a extensão da lesão isoladamente não é contraindicação para o reparo primário ou ressecção com anastomose imediata.

Quando a colostomia (Hartmann) ainda é indicada no trauma colônico?

A exteriorização (colostomia) ou o procedimento de Hartmann é reservado para pacientes instáveis (choque hipovolêmico grave), necessidade de cirurgia de controle de danos, múltiplas lesões associadas com alta carga de transfusão sanguínea ou quando há peritonite fecal franca e purulenta que torne a anastomose de alto risco para deiscência.

A lesão por arma de fogo muda a conduta em relação à arma branca?

Embora ferimentos por arma de fogo (FAF) possam causar maior dano cinético e térmico lateral, a conduta cirúrgica baseia-se na estabilidade do paciente e na viabilidade tecidual. Se o paciente está estável e o segmento colônico pode ser ressecado com margens viáveis, a anastomose primária permanece a conduta de escolha, superando a antiga prática de colostomia sistemática para FAF.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo