SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Paciente com trauma colônico único atingido por arma de fogo, foi atendido uma hora após o incidente e hemodinamicamente estável. Cirurgia apresenta lesão de cólon sigmoide extensa (mais de 50% da circunferência colônica). A conduta mais adequada neste caso é:
Trauma colônico em paciente estável + < 6h + sem contaminação maciça → Anastomose primária.
A conduta moderna no trauma colônico prioriza a anastomose primária em pacientes hemodinamicamente estáveis, independentemente da extensão da lesão (>50%), desde que não haja peritonite fecal grave.
O manejo das lesões colônicas evoluiu significativamente nas últimas décadas. Antigamente, seguindo os preceitos da Segunda Guerra Mundial, a colostomia era obrigatória para quase todas as lesões. Estudos contemporâneos demonstraram que a anastomose primária (com ou sem ressecção) apresenta taxas de complicações similares ou menores que a colostomia em pacientes selecionados. A decisão cirúrgica deve ser guiada pelo estado fisiológico do paciente (pH, temperatura, coagulopatia) e pela carga de contaminação. Em pacientes estáveis atendidos precocemente, a sigmoidectomia com anastomose primária é segura e evita a morbidade de uma segunda cirurgia para fechamento de colostomia.
Os principais critérios incluem estabilidade hemodinâmica (ausência de choque persistente), tempo decorrido desde o trauma (geralmente < 6-8 horas), ausência de lesões vasculares mesentéricas graves que comprometam o suprimento sanguíneo e ausência de contaminação fecal maciça da cavidade peritoneal. Atualmente, a extensão da lesão isoladamente não é contraindicação para o reparo primário ou ressecção com anastomose imediata.
A exteriorização (colostomia) ou o procedimento de Hartmann é reservado para pacientes instáveis (choque hipovolêmico grave), necessidade de cirurgia de controle de danos, múltiplas lesões associadas com alta carga de transfusão sanguínea ou quando há peritonite fecal franca e purulenta que torne a anastomose de alto risco para deiscência.
Embora ferimentos por arma de fogo (FAF) possam causar maior dano cinético e térmico lateral, a conduta cirúrgica baseia-se na estabilidade do paciente e na viabilidade tecidual. Se o paciente está estável e o segmento colônico pode ser ressecado com margens viáveis, a anastomose primária permanece a conduta de escolha, superando a antiga prática de colostomia sistemática para FAF.
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