Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021
Homem, 21 anos de idade, foi vítima de ferimento penetrante abdominal por projétil de arma de fogo. Indicada laparotomia exploradora que evidenciou laceração de mais de 75% cólon transverso e presença de fezes em pequena quantidade na cavidade abdominal. Na admissão e durante o procedimento se manteve estável hemodinamicamente. Qual é a melhor conduta para tratar a lesão intestinal?
Estabilidade hemodinâmica + ausência de peritonite fecal grave → Anastomose primária no cólon.
Em pacientes estáveis com lesões colônicas extensas (>50% da circunferência), a ressecção seguida de anastomose primária é segura, evitando estomas desnecessários.
O manejo das lesões colônicas evoluiu significativamente nas últimas décadas. Antigamente, a exteriorização era a regra (dogma de guerra). Hoje, a evidência sustenta que a anastomose primária apresenta taxas de deiscência similares ou menores que a proteção com estoma em pacientes selecionados. A decisão baseia-se no índice de trauma abdominal (PATI) e no estado fisiológico do paciente.
Os principais critérios incluem estabilidade hemodinâmica (ausência de choque persistente), ausência de lesões associadas graves que exijam controle de danos, e contaminação peritoneal mínima ou moderada. Pacientes que necessitam de transfusão maciça ou apresentam acidose grave devem ser submetidos ao controle de danos com fechamento temporário ou estoma.
A colostomia (ou procedimento de Hartmann) é reservada para pacientes instáveis hemodinamicamente, naqueles que requerem cirurgia de controle de danos (damage control), ou quando há peritonite fecal franca e extensa que comprometa a viabilidade da anastomose.
Estudos modernos mostram que a conduta de anastomose primária é segura tanto para o cólon direito quanto para o esquerdo, desde que os critérios de estabilidade hemodinâmica sejam respeitados, desmistificando a obrigatoriedade de estoma no lado esquerdo.
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