FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 28 anos, previamente hígido, vítima de um único ferimento por arma de fogo no abdômen, com orifício de entrada no flanco esquerdo e sem orifício de saída, dá entrada na emergência estável hemodinamicamente. Á laparotomia, percebe-se lesão atingindo ± 40% da circunferência do cólon esquerdo, sem desvascularização e com pequena contaminação fecal da cavidade. Diante destas condições, qual a conduta mais adequada para tratamento da lesão do cólon deste paciente?
Estabilidade + lesão <50% circunferência + sem isquemia → Reparo primário (colorrafia).
Em traumas de cólon, a tendência atual é o reparo primário em pacientes estáveis, independentemente da localização, desde que não haja desvascularização extensa.
O manejo do trauma de cólon evoluiu significativamente nas últimas décadas. Antigamente, a exteriorização era a regra para evitar a peritonite por deiscência de sutura. Atualmente, o reparo primário é preferido em pacientes estáveis. A decisão cirúrgica baseia-se na avaliação da perfusão tecidual e na carga de contaminação. O uso de antibióticos profiláticos e a técnica de sutura (plano único ou duplo) também são componentes críticos do sucesso cirúrgico.
O reparo primário (colorrafia ou ressecção com anastomose primária) é indicado em pacientes hemodinamicamente estáveis, com lesões que envolvem menos de 50% da circunferência da alça, sem evidência de desvascularização segmentar e sem contaminação fecal maciça. Estudos modernos mostram que o reparo primário é seguro tanto para o cólon direito quanto para o esquerdo nessas condições, apresentando taxas de deiscência similares às da colostomia, mas com menor morbidade global por evitar um segundo tempo cirúrgico.
A cirurgia de Hartmann (colectomia com colostomia terminal e fechamento do coto distal) é reservada para pacientes instáveis (choque persistente), com múltiplas lesões associadas, necessidade de cirurgia de controle de danos, ou quando há desvascularização extensa do segmento colônico que impossibilite a anastomose segura. Também é considerada em casos de contaminação fecal grosseira da cavidade peritoneal onde o risco de sepse abdominal é muito elevado.
Historicamente, acreditava-se que o cólon esquerdo deveria sempre ser exteriorizado (colostomia). No entanto, evidências atuais demonstram que a localização anatômica isolada não dita a conduta. O fator determinante é o estado fisiológico do paciente e a viabilidade tecidual. Se o paciente está estável e o tecido é viável, o reparo primário é a conduta padrão ouro, independentemente de ser cólon ascendente ou descendente.
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