Ferimento Cervical Zona II: Conduta Imediata no Trauma

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente 17 anos, masculino, vítima de ferimento de arma branca em zona II cervical esquerda. Presença de hematoma não expansivo local, rouquidão leve e desvio da traquéia, PA: 110/80mmHg e FC: 100. Em relação ao caso assinale a conduta mais adequada neste momento:

Alternativas

  1. A) Tomografia cervical com contraste. 
  2. B) Broncoscopia, endoscopia digestiva alta e ecodoppler de carótida. 
  3. C) Cervicotomia exploradora. 
  4. D) Internamento e observação clínica. 

Pérola Clínica

Ferimento cervical Zona II com sinais de lesão (rouquidão, desvio traqueal) → Cervicotomia exploradora.

Resumo-Chave

Ferimentos penetrantes cervicais em Zona II, especialmente com sinais de lesão de estruturas vitais (rouquidão, desvio de traqueia, hematoma não expansivo), são considerados de alto risco. A presença de sinais 'duros' ou 'moles' de lesão vascular, de via aérea ou digestiva, mesmo que leves, exige uma abordagem agressiva, sendo a cervicotomia exploradora a conduta mais adequada para avaliação e reparo imediato.

Contexto Educacional

Ferimentos penetrantes cervicais são emergências traumáticas com alto potencial de morbidade e mortalidade devido à densidade de estruturas vitais na região. A classificação anatômica em Zonas I, II e III é crucial para guiar a conduta. A Zona II, que se estende da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula, é a mais frequentemente acometida e a mais desafiadora, pois abriga grandes vasos, via aérea, trato digestivo e nervos importantes. A fisiopatologia envolve lesões diretas por projéteis ou objetos perfurocortantes, podendo causar hemorragias maciças, obstrução de via aérea, aspiração, lesões neurológicas e infecções. O diagnóstico inicial é clínico, avaliando a estabilidade hemodinâmica e a presença de sinais de lesão. Sinais como hematoma não expansivo, rouquidão leve e desvio da traqueia são indicativos de lesão de estruturas vitais (vascular, via aérea ou esofágica) e demandam investigação imediata. A conduta para ferimentos cervicais penetrantes em Zona II com sinais de lesão é a cervicotomia exploradora. Esta abordagem permite a identificação e o reparo rápido de lesões vasculares, da via aérea ou do trato digestivo, prevenindo complicações graves como choque hemorrágico ou obstrução respiratória. Exames complementares como tomografia ou endoscopia podem ser úteis para pacientes estáveis e sem sinais "duros", mas não devem atrasar a intervenção cirúrgica em casos de alta suspeita clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais "duros" e "moles" de lesão em trauma cervical penetrante?

Sinais "duros" (indicação de cirurgia imediata) incluem sangramento ativo, hematoma expansivo, sopro/frêmito, déficit neurológico focal, hemoptise, disfagia grave, estridor e enfisema subcutâneo. Sinais "moles" (indicam investigação) são disfonia, disfagia leve, hematoma não expansivo, dor à palpação e história de sangramento.

Por que a Zona II cervical é considerada a mais perigosa em ferimentos penetrantes?

A Zona II (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula) é a mais perigosa porque contém a maioria das estruturas vitais do pescoço (carótidas, jugulares, laringe, faringe, esôfago, traqueia, nervos) e é a mais difícil de controlar o sangramento externamente, além de ser acessível cirurgicamente.

Quando exames de imagem como tomografia ou angiografia são indicados em ferimentos cervicais?

Exames de imagem são indicados para pacientes estáveis hemodinamicamente sem sinais "duros" de lesão, ou com sinais "moles", para avaliar a extensão da lesão e planejar a abordagem. Em casos de sinais "duros", a cirurgia exploradora é prioritária.

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