Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026
Homem de 62 anos, previamente saudável, sofreu um acidente de trabalho em uma laje e caiu sobre um vergalhão, que transfixou a região cervical. Hemodinamicamente estável, apresenta barra metálica atravessando a região cervical direita, com ponto de entrada na zona II e saída na zona III retroauricular, sem sangramento ativo ou hematoma. Angiotomografia cervical abaixo. A conduta mais adequada, dentre as abaixo é:
Objeto empalado no pescoço → NUNCA remover na emergência; estabilizar e retirar apenas no Centro Cirúrgico.
Objetos transfixantes podem exercer efeito de tamponamento em vasos lesionados. A remoção deve ser feita sob visualização direta e controle vascular em ambiente cirúrgico.
O trauma cervical penetrante é uma condição de alta letalidade potencial devido à densidade de estruturas vitais em um espaço reduzido. O manejo de objetos empalados segue o princípio fundamental de 'não causar mais dano'. A estabilização do objeto para evitar lesões secundárias durante a manipulação é crucial. Historicamente, todo trauma que atravessava o platisma na Zona II era explorado cirurgicamente. Hoje, a conduta é mais seletiva em pacientes estáveis, baseada em exames de imagem. Contudo, a presença de um corpo estranho transfixante impõe a exploração cirúrgica para sua remoção segura, independentemente da estabilidade inicial, garantindo que qualquer sangramento oculto seja controlado imediatamente após a retirada da compressão mecânica exercida pelo objeto.
A remoção de um objeto empalado pode desfazer um efeito de tamponamento mecânico sobre um vaso sanguíneo lesionado (como a carótida ou a jugular). Se o objeto for retirado sem controle vascular proximal e distal, pode ocorrer uma hemorragia exanguinante que é impossível de controlar fora de um ambiente cirúrgico equipado. Portanto, o objeto deve ser fixado e protegido durante o transporte para evitar movimentação adicional até que o cirurgião esteja pronto para intervir.
O pescoço é dividido em três zonas: Zona I (da fúrcula esternal à cartilagem cricoide), Zona II (da cricoide ao ângulo da mandíbula) e Zona III (do ângulo da mandíbula à base do crânio). A Zona II é a mais comum em traumas penetrantes e a mais acessível cirurgicamente. No entanto, objetos que atravessam múltiplas zonas, como no caso (Zona II para III), aumentam a complexidade devido ao difícil acesso vascular na base do crânio (Zona III).
Em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais 'hard' de lesão vascular ou aerodigestiva (como hematoma expansivo, choque, ou sangramento ativo), a Angiotomografia (Angio-TC) é o padrão-ouro para o diagnóstico. Ela permite avaliar a trajetória do objeto, a proximidade com vasos vitais, a integridade da via aérea e do esôfago, auxiliando no planejamento cirúrgico preciso para a retirada do corpo estranho.
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