Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem de 28 anos sofreu acidente com linha de cerol enquanto andava de bicicleta e deu entrada na emergência apresentando ferimento cervical com sangramento cervical abundante e escape de ar em grande quantidade pelo ferimento. Sinais vitais: saturação O₂ : 79%; PA: 90 x 55 mmHg; FC: 144 bpm; FR: 28 mrpm. Após as medidas iniciais na sala de emergência, a conduta mais adequada esse paciente deverá ser:
Trauma cervical penetrante com instabilidade hemodinâmica e escape de ar → Cervicotomia exploradora imediata.
Pacientes com trauma cervical penetrante e sinais de comprometimento de via aérea (escape de ar) ou instabilidade hemodinâmica (sangramento abundante, choque) necessitam de intervenção cirúrgica imediata. A cervicotomia exploradora permite o controle do sangramento e a reparação de lesões de via aérea ou vasculares.
O trauma cervical penetrante é uma emergência médica grave que exige avaliação e intervenção rápidas devido à proximidade de estruturas vitais como via aérea, vasos sanguíneos principais, esôfago e coluna vertebral. A etiologia pode variar, incluindo ferimentos por arma branca, arma de fogo ou, como no caso, acidentes com linhas de cerol. A alta morbimortalidade associada a essas lesões torna o manejo inicial crítico para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve o comprometimento direto das estruturas cervicais, levando a sangramento maciço, obstrução de via aérea, pneumotórax (se houver lesão pleural apical), ou lesões neurológicas. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na cinemática do trauma e nos sinais e sintomas apresentados. Sinais como sangramento abundante, escape de ar, instabilidade hemodinâmica (choque), dispneia e estridor são indicativos de lesões graves e demandam ação imediata. Exames complementares como angiotomografia podem ser úteis para pacientes estáveis, mas são contraindicados em pacientes instáveis. O tratamento inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização da via aérea, controle do sangramento e suporte circulatório. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou sinais de comprometimento de via aérea, a cervicotomia exploradora é a conduta mais adequada. Este procedimento permite a identificação e reparo das lesões, controle do sangramento e assegura a patência da via aérea. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, bem como da extensão das lesões.
Sinais de alerta incluem sangramento abundante, escape de ar pelo ferimento, instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), dispneia, estridor e enfisema subcutâneo. Estes indicam potencial lesão vascular ou de via aérea.
A cervicotomia exploradora é indicada em traumas cervicais penetrantes com sinais de instabilidade hemodinâmica, comprometimento de via aérea, lesão de esôfago ou traqueia suspeita, ou déficits neurológicos progressivos. É uma medida de controle de danos.
O pescoço é dividido em três zonas: Zona I (base do pescoço), Zona II (entre cricoide e ângulo da mandíbula) e Zona III (acima do ângulo da mandíbula). A Zona II é a mais comum para lesões e frequentemente abordada cirurgicamente, enquanto as Zonas I e III podem exigir abordagens mais complexas.
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