Trauma Cervical: Indicações de Cervicotomia de Emergência

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 36 anos sofreu ferimento por arma branca em zona II cervical, região ânterolateral à esquerda. Apresenta instabilidade hemodinâmica por sangramento ativo, dispneia progressiva e enfisema subcutâneo cervical. Assinale a alternativa que contempla a abordagem correta para o paciente após avaliação inicial com estabelecimento de uma via aérea definitiva:

Alternativas

  1. A) Solicitação de angiotomografia de pescoço.
  2. B) Observação da evolução clínica com compressão local do ferimento.
  3. C) Exploração cirúrgica da ferida cervical por cervicotomia.
  4. D) Realização de toracotomia por se tratar de ferimento em transição cervicotorácica.
  5. E) Realização de endoscopia digestiva alta para melhor avaliação da lesão esofágica.

Pérola Clínica

Instabilidade hemodinâmica ou sinais 'hard' em trauma cervical → Cervicotomia imediata.

Resumo-Chave

Pacientes com ferimentos cervicais penetrantes que apresentam sinais de gravidade (instabilidade, sangramento ativo ou via aérea comprometida) exigem exploração cirúrgica imediata, sem atrasos para exames de imagem.

Contexto Educacional

O manejo do trauma cervical evoluiu significativamente nas últimas décadas. Antigamente, qualquer ferimento que ultrapassasse o músculo platisma na Zona II era submetido à exploração cirúrgica obrigatória. Hoje, a abordagem é mais conservadora e seletiva para pacientes estáveis, visando reduzir o número de cervicotomias negativas, que podem chegar a 50% em explorações mandatórias. No entanto, o caso clínico apresenta um paciente com instabilidade hemodinâmica, dispneia e enfisema subcutâneo, o que configura sinais inequívocos de lesão vascular e de via aérea. Nesses cenários, a estabilização da via aérea é a prioridade zero, seguida imediatamente pela intervenção cirúrgica para controle de danos. A cervicotomia exploradora permite o acesso direto às estruturas da Zona II, facilitando a rafia vascular ou de órgãos aerodigestivos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais 'hard' que indicam cirurgia imediata no trauma cervical?

Os sinais 'hard' ou de certeza de lesão vascular ou aerodigestiva grave incluem instabilidade hemodinâmica (choque), sangramento arterial pulsátil ativo, hematoma em expansão ou pulsátil, presença de sopro ou frêmito sobre a ferida, sinais de obstrução de via aérea e enfisema subcutâneo maciço. Na presença de qualquer um desses sinais em um ferimento que atravessa o platisma, a conduta é a exploração cirúrgica imediata (cervicotomia), pois o risco de morte por exanguinação ou asfixia suplanta o benefício de qualquer investigação diagnóstica adicional por imagem.

Como se definem as zonas cervicais de Monson?

As zonas de Monson dividem o pescoço anatomicamente para orientar a conduta no trauma. A Zona I vai da fúrcula esternal e clavículas até a cartilagem cricoide. A Zona II, a mais frequentemente lesionada, estende-se da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula. A Zona III vai do ângulo da mandíbula até a base do crânio. Historicamente, ferimentos na Zona II com violação do platisma eram explorados cirurgicamente de forma mandatória, mas a tendência atual é o manejo seletivo baseado em sinais clínicos e exames de imagem (angio-TC) em pacientes estáveis.

Qual a conduta para pacientes estáveis com ferimento cervical penetrante?

Em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais 'hard', a conduta atual é o manejo seletivo. Isso envolve a realização de exames diagnósticos para avaliar lesões ocultas, sendo a Angiotomografia de Pescoço o padrão-ouro inicial. Dependendo do trajeto do ferimento e dos achados da TC, podem ser necessários exames complementares como endoscopia digestiva alta, esofagograma ou broncoscopia para descartar lesões em esôfago e traqueia que não foram visualizadas perfeitamente na tomografia.

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