Lesão Esofágica Cervical por Trauma Penetrante: Manejo

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 24 anos, vítima de ferimento por arma branca em região cervical em zona 2 do pescoço, posterior ao músculo esternoclidomastoideo é trazido à sala de emergência: A. Via aérea pervia, SpO2 96%, B. MV + s/ RA; C: PA 130/90, FC 90; D: ECG 15; E: Paciente queixando de dor em região cervical, não há hematomas em expansão, extravasamento de ar, enfisema subcutâneo ou sangramento importante local. Realizada uma EDA que evidenciou uma laceração de 1/3 da circunferência esofágica. Qual a conduta a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Tratamento não operatório, monitorização em UTI e passagem de sonda nasoenteral.
  2. B) Cervicotomia exploradora, desbridamento da região, rafia primária, esofagostomia proximal, drenagem local, antibioticoterapia.
  3. C) Complementar o estudo com tomografia e, se só houver lesão esofágica realizar esofagostomia exteriorizando a lesão.
  4. D) Colocação de um stent esofágico.
  5. E) Cervicotomia exploradora, desbridamento da região, rafia primária, drenagem local, passagem de SNE, antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Lesão esofágica cervical por FAB em zona 2 → cervicotomia exploradora, rafia primária, drenagem, SNE e ATB para prevenir mediastinite.

Resumo-Chave

Lesões esofágicas cervicais, mesmo pequenas, têm alto risco de complicações como mediastinite e sepse. A conduta padrão é a exploração cirúrgica (cervicotomia), reparo primário da lesão (rafia), drenagem do local, suporte nutricional com SNE e antibioticoterapia de amplo espectro.

Contexto Educacional

O trauma cervical penetrante, especialmente na zona 2 (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula), é de alta complexidade devido à presença de estruturas vitais como via aérea, vasos sanguíneos, nervos e o esôfago. Lesões esofágicas são particularmente perigosas devido ao risco de contaminação mediastinal e desenvolvimento de mediastinite, uma condição com alta morbimortalidade. A presença de uma laceração esofágica de 1/3 da circunferência, mesmo sem sinais externos graves de extravasamento imediato, é uma lesão significativa que não pode ser tratada de forma conservadora. A EDA confirmou a lesão, e a estabilidade hemodinâmica inicial permite a abordagem cirúrgica definitiva. A conduta padrão para lesões esofágicas cervicais penetrantes é a cervicotomia exploradora. Durante a cirurgia, realiza-se o desbridamento de tecidos desvitalizados, a rafia primária da lesão (fechamento), a drenagem da região cervical para evitar coleções e fístulas, a passagem de uma sonda nasoenteral para descompressão e/ou alimentação, e a antibioticoterapia de amplo espectro para prevenir infecções. O tratamento não operatório ou a colocação de stent são reservados para casos muito selecionados, geralmente lesões menores ou iatrogênicas, e não para lacerações traumáticas significativas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de lesão esofágica em trauma cervical?

Sinais incluem dor cervical, disfagia, odinofagia, enfisema subcutâneo, crepitação à palpação, saliva sanguinolenta, extravasamento de ar ou conteúdo gástrico pela ferida. A ausência de sinais externos não exclui lesão interna.

Por que a cervicotomia exploradora é indicada em lesões esofágicas cervicais?

A cervicotomia exploradora permite a visualização direta e o reparo da lesão esofágica, o desbridamento de tecidos desvitalizados e a drenagem adequada do espaço cervical, prevenindo complicações graves como mediastinite e sepse.

Qual o papel da sonda nasoenteral e da antibioticoterapia em lesões esofágicas?

A sonda nasoenteral é usada para descompressão esofágica e/ou suporte nutricional, evitando a passagem de alimentos pela área reparada. A antibioticoterapia de amplo espectro é essencial para prevenir infecções bacterianas decorrentes da contaminação da ferida e do mediastino.

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