FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Os traumas penetrantes do pescoço podem causar lesões potencialmente fatais, e 0 reconhecimento delas é crucial no desfecho do paciente. Em relação aos traumas penetrantes do pescoço, assinale a alternativa correta:
Zona II (entre cricoide e mandíbula) é a região mais acometida no trauma cervical.
O trauma cervical é dividido em três zonas anatômicas; a Zona II é a mais frequente e, historicamente, a que mais indicava exploração cirúrgica imediata.
O trauma penetrante de pescoço é uma condição crítica devido à alta densidade de estruturas vitais (vasculares, respiratórias, digestivas e neurológicas) em um espaço reduzido. Historicamente, qualquer lesão que ultrapassasse o músculo platisma na Zona II era indicação de exploração cirúrgica. Atualmente, a conduta evoluiu para o 'manejo seletivo', onde pacientes estáveis sem sinais óbvios de lesão são avaliados por tomografia computadorizada multislice. A estatística mostra que a Zona II é a mais prevalente (cerca de 50-80% dos casos), seguida pela Zona I e, por fim, a Zona III. A principal causa de morte imediata no trauma cervical é a exsanguinação, seguida pela obstrução das vias aéreas. A artéria carótida comum é o vaso mais frequentemente lesionado em traumas penetrantes cervicais.
Anatomicamente, o pescoço é dividido em três zonas para fins de manejo de trauma penetrante: Zona I (base do pescoço), que vai da fúrcula esternal e clavículas até a cartilagem cricoide; Zona II (região média), que vai da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula; e Zona III (região superior), que vai do ângulo da mandíbula até a base do crânio. A Zona II é a mais extensa e a mais frequentemente lesionada em traumas penetrantes, sendo também a de mais fácil acesso cirúrgico.
Os 'sinais duros' (hard signs) indicam lesão grave e necessidade de exploração cirúrgica imediata ou intervenção emergencial. Eles incluem: choque refratário, sangramento arterial pulsátil, hematoma em expansão ou pulsátil, sopro ou frêmito cervical, ausência de pulsos distais, enfisema subcutâneo massivo, estridor ou insuficiência respiratória, e saída de ar ou saliva pela ferida. Na ausência desses sinais, o manejo atual tende a ser mais conservador, guiado por exames de imagem como a Angio-TC.
Embora a Zona II seja a mais comum, as Zonas I e III apresentam maiores desafios terapêuticos e, consequentemente, maior mortalidade. Na Zona I, as lesões podem envolver grandes vasos do estreito superior do tórax (subclávias, tronco braquiocefálico), dificultando o controle proximal do sangramento. Na Zona III, a proximidade com a base do crânio torna o controle distal das artérias carótidas e vertebrais extremamente difícil por via cirúrgica convencional, muitas vezes exigindo técnicas endovasculares ou desarticulação da mandíbula.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo