Trauma Cervical Penetrante: Avaliação e Conduta Inicial

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 30 anos, foi vítima de ferimento por projétil de arma de fogo no pescoço. Admissão no Centro de Trauma: A: Conversando. Hálito etílico. SpO₂: 96% com máscara de oxigênio. B: MV presente bilateralmente. Ausência de enfisema de subcutâneo torácico. C: PA: 140x70 mmHg; FC: 105 bpm; tempo de enchimento capilar de 1 segundo. D: Escala de coma de Glasgow de 15 (agitado). E: Ferimento demonstrando na figura a seguir. Ausência de enfisema de subcutâneo. Realizada analgesia com melhora da dor e agitação. Assinale qual é a melhor conduta neste momento do atendimento. 

Alternativas

  1. A) Exploração local e sutura. 
  2. B) Cervicotomia exploradora. 
  3. C) Endoscopia e broncoscopia. 
  4. D) Tomografia com contraste.

Pérola Clínica

Trauma cervical penetrante em paciente estável hemodinamicamente → TC com contraste para avaliar lesões vasculares/viscerais.

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma cervical penetrante e estáveis hemodinamicamente, a tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para avaliar a extensão da lesão e identificar possíveis danos a estruturas vasculares, vias aéreas ou esôfago, evitando explorações cirúrgicas desnecessárias.

Contexto Educacional

O trauma cervical penetrante é uma emergência que exige avaliação rápida e precisa devido à proximidade de estruturas vitais. A abordagem inicial segue os princípios do ATLS, focando na estabilização da via aérea, respiração e circulação. Após a estabilização, a avaliação diagnóstica é crucial para determinar a necessidade e o tipo de intervenção. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a tomografia computadorizada (TC) com contraste tornou-se o método de imagem de escolha. Ela permite uma avaliação detalhada das estruturas vasculares (angio-TC), vias aéreas e trato digestivo superior, identificando lesões que podem não ser evidentes ao exame físico. A TC ajuda a estratificar o risco e a planejar a conduta, evitando explorações cirúrgicas desnecessárias. A decisão entre manejo conservador, exploração cirúrgica ou exames complementares invasivos (como endoscopia ou broncoscopia) depende da estabilidade do paciente, da localização do ferimento (zonas do pescoço) e da presença de sinais de lesão de estruturas vitais. A exploração local e sutura é insuficiente para avaliar a profundidade e o dano de um FPAF. Cervicotomia exploradora é para instáveis ou com sinais de lesão grave. Endoscopia e broncoscopia são exames complementares que podem ser feitos após a TC, se houver suspeita específica.

Perguntas Frequentes

Quais são as zonas anatômicas do pescoço relevantes no trauma?

O pescoço é dividido em três zonas: Zona I (base do pescoço, clavículas ao cricóide), Zona II (cricóide ao ângulo da mandíbula) e Zona III (ângulo da mandíbula à base do crânio), cada uma com riscos específicos.

Quando a exploração cirúrgica imediata está indicada no trauma cervical penetrante?

A exploração cirúrgica imediata é indicada em pacientes com sinais de instabilidade hemodinâmica, hemorragia ativa, hematoma expansivo, comprometimento de via aérea ou déficits neurológicos focais.

Quais estruturas podem ser lesionadas em um trauma cervical penetrante?

Estruturas vasculares (carótidas, vertebrais, jugulares), vias aéreas (traqueia, laringe), esôfago, nervos (laríngeo recorrente, frênico, plexo braquial) e medula espinhal.

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