Manejo de Ferimentos na Zona III do Pescoço

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025

Enunciado

No manejo de ferimentos penetrantes no pescoço, o conhecimento das zonas anatômicas é essencial para decidir a abordagem diagnóstica e terapêutica. Em relação ao tratamento e avaliação de pacientes com ferimento penetrante na Zona III do pescoço, qual das seguintes afirmativas está correta?

Alternativas

  1. A) Em pacientes estáveis e sem sinais graves de lesão arterial, o protocolo padrão inclui obrigatoriamente a realização de arteriografia ou angiotomografia para descartar lesões vasculares em todas as zonas do pescoço.
  2. B) Para lesões penetrantes na Zona III, a exposição cirúrgica adequada requer frequentemente subluxação da articulação temporomandibular e uso de mandibulotomia, caso a abordagem endovascular não seja viável.
  3. C) Pacientes com ferimentos na Zona III que apresentam sinais brandos, como hematoma estável e disfonia, devem ser levados diretamente para cirurgia exploratória devido ao alto risco de lesão arterial.
  4. D) Ferimentos penetrantes na Zona I do pescoço não apresentam risco de lesão nas artérias vertebrais e jugulares subclávias, e a avaliação é menos invasiva.
  5. E) Pacientes assintomáticos com ferimentos na Zona II devem ser observados sem necessidade de exames adicionais, independentemente do local da lesão.

Pérola Clínica

Trauma Zona III (ângulo da mandíbula à base do crânio) → Acesso difícil → Pode exigir mandibulotomia.

Resumo-Chave

A Zona III é de difícil acesso cirúrgico direto; técnicas como subluxação mandibular são cruciais para controle vascular distal em lesões altas.

Contexto Educacional

O manejo do trauma cervical penetrante evoluiu da exploração obrigatória para o manejo seletivo. Na Zona III, devido à complexidade anatômica e dificuldade de exposição, a angiotomografia e a arteriografia desempenham papel fundamental no planejamento. Quando a cirurgia é necessária para controle de hemorragia ou reparo vascular na Zona III, manobras como a subluxação da articulação temporomandibular ou a mandibulotomia podem ser indispensáveis para visualizar a porção distal da artéria carótida interna próximo à base do crânio.

Perguntas Frequentes

Como são divididas as zonas do pescoço no trauma?

As zonas de Monson dividem o pescoço em: Zona I (da fúrcula esternal e clavículas até a cartilagem cricoide), Zona II (da cartilagem cricoide até o ângulo da mandíbula) e Zona III (do ângulo da mandíbula até a base do crânio). A Zona II é a mais comum e de fácil acesso, enquanto as Zonas I e III apresentam grandes desafios técnicos para controle vascular.

Quais as dificuldades da Zona III no trauma?

A Zona III contém estruturas vasculares críticas (carótida interna distal, veia jugular interna) e nervos cranianos baixos protegidos pelo ângulo da mandíbula e base do crânio. O acesso cirúrgico é extremamente limitado pelo osso, dificultando o clampeamento proximal e distal de vasos sangrantes, muitas vezes exigindo manobras ortognáticas ou abordagens endovasculares.

O que são 'hard signs' no trauma cervical?

Sinais 'duros' (hard signs) de lesão vascular ou aerodigestiva incluem: sangramento pulsátil, hematoma em expansão, choque refratário, ausência de pulso carotídeo, sopro/frêmito, borbulhamento de ar pela ferida e hematêmese massiva. A presença desses sinais indica exploração cirúrgica imediata, independentemente da zona acometida.

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