Trauma Cervical Penetrante: Conduta e Via Aérea de Urgência

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 35 anos, apresenta ferimento penetrante por arma branca na região cervical anterior, zona 2. O paciente chega ao pronto-socorro consciente, com dispneia e hematoma expansivo na região do pescoço, associado a estridor respiratório. Sinais vitais revelam: FC 120 bpm; PA 89x62mmHg; FR 32 irpm; e saturação de oxigênio de 83% em ar ambiente. A prioridade na conduta inicial no atendimento desse paciente é:

Alternativas

  1. A) Realizar compressão direta do ferimento e posterior transferência para sala cirúrgica.
  2. B) Solicitar angiotomografia de urgência para avaliação da extensão das lesões.
  3. C) Assegurar a via aérea por meio de intubação orotraqueal ou cricotireoidostomia.
  4. D) Realizar exploração cirúrgica imediata da lesão cervical para controle de danos.
  5. E) Administrar fluidos intravenosos e analgesia, além de acionar o protocolo de transfusão maciça.

Pérola Clínica

Hematoma expansivo + Estridor → Via aérea imediata (IOT ou Crico).

Resumo-Chave

No trauma cervical penetrante com sinais de obstrução iminente (estridor, hematoma expansivo), a prioridade absoluta é o estabelecimento de uma via aérea definitiva antes de qualquer exame de imagem.

Contexto Educacional

O manejo do trauma cervical penetrante segue os preceitos do ATLS, onde o 'A' (Airway) é a prioridade. Pacientes com ferimentos penetrantes que atravessam o platisma exigem avaliação cuidadosa. A presença de estridor e hematoma expansivo indica compressão extrínseca da traqueia, tornando a intubação orotraqueal potencialmente difícil e exigindo prontidão para via aérea cirúrgica. A Zona 2 do pescoço contém estruturas vitais como as artérias carótidas, veias jugulares, laringe, traqueia e esôfago. Embora a conduta seletiva baseada em angiotomografia seja comum para pacientes estáveis, a instabilidade hemodinâmica ou respiratória impõe intervenção imediata para controle de danos e estabilização vital.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de 'hard signs' no trauma cervical?

Os sinais 'duros' que indicam lesão vascular ou aerodigestiva grave incluem: hematoma expansivo ou pulsátil, sangramento ativo maciço, choque refratário, estridor, enfisema subcutâneo extenso, sopros ou frêmitos e déficit neurológico focal.

Como são divididas as zonas cervicais no trauma?

A Zona 1 vai da fúrcula esternal/clavículas até a cartilagem cricoide; a Zona 2 vai da cricoide até o ângulo da mandíbula; e a Zona 3 vai do ângulo da mandíbula até a base do crânio. A Zona 2 é a mais frequentemente lesionada e a mais acessível cirurgicamente.

Quando indicar cricotireoidostomia no trauma cervical?

A cricotireoidostomia está indicada quando a intubação orotraqueal falha ou é impossível devido a distorção anatômica, sangramento profuso ou trauma maxilofacial grave (cenário 'cannot intubate, cannot oxygenate').

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