Trauma Cervical Penetrante: Manejo da Via Aérea e Conduta

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 29 anos de idade, vítima de ferimento por arma branca em região cervical, é levado ao pronto-socorro pela equipe de resgate com colar cervical e prancha rígida. Em avaliação inicial, encontra-se falando, com ferimento de 1,5cm em zona II anterolateral esquerda, com presença de abaulamento arroxeado em expansão e com frêmito palpável nessa região, sem exteriorização de sangramento. Qual é a conduta neste momento?

Alternativas

  1. A) Intubação orotraqueal
  2. B) Punção do hematoma cervical
  3. C) Cervicotomia de emergência
  4. D) Exploração local do ferimento

Pérola Clínica

Trauma cervical penetrante com hematoma expansivo/frêmito → Risco via aérea iminente → Intubação orotraqueal precoce.

Resumo-Chave

A presença de um hematoma cervical em expansão e frêmito palpável após trauma penetrante na região cervical (Zona II) indica uma provável lesão vascular significativa, com risco iminente de comprometimento da via aérea. A intubação orotraqueal precoce e controlada é a conduta prioritária para garantir a patência da via aérea antes que o edema ou o hematoma a obstruam completamente.

Contexto Educacional

O trauma cervical penetrante é uma emergência médica com alto potencial de morbidade e mortalidade devido à presença de estruturas vitais como via aérea, esôfago e grandes vasos. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com prioridade para a avaliação e manejo da via aérea. Neste caso, o paciente apresenta sinais claros de lesão vascular grave (hematoma expansivo, frêmito) na Zona II do pescoço. A Zona II é a mais frequentemente acometida e, embora historicamente fosse indicação para exploração cirúrgica imediata, a abordagem moderna enfatiza a estabilização da via aérea e hemodinâmica, seguida de exames de imagem (angiotomografia) para definir a extensão da lesão. A conduta imediata, diante de um hematoma cervical em expansão e frêmito, é a intubação orotraqueal. Isso se deve ao risco iminente de obstrução da via aérea pelo hematoma ou edema, o que tornaria a intubação muito mais desafiadora e perigosa se postergada. Após a estabilização da via aérea, a investigação diagnóstica e o tratamento definitivo da lesão vascular podem ser realizados com maior segurança.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para comprometimento da via aérea em trauma cervical?

Sinais de alerta incluem hematoma cervical em expansão, frêmito ou sopro, disfonia, estridor, dispneia, enfisema subcutâneo e sangramento ativo na via aérea. A presença de qualquer um desses exige avaliação imediata da via aérea.

Por que a intubação orotraqueal é a conduta inicial prioritária neste caso?

A intubação é prioritária para proteger a via aérea antes que o hematoma em expansão ou o edema tecidual a oclua, tornando a intubação mais difícil ou impossível. Isso também previne a aspiração em caso de lesão traqueal ou esofágica.

Quais são as zonas anatômicas do pescoço e sua relevância no trauma?

O pescoço é dividido em Zona I (base do pescoço), Zona II (entre cricoide e ângulo da mandíbula) e Zona III (acima do ângulo da mandíbula). A Zona II é a mais comum para lesões e, historicamente, a mais abordada cirurgicamente, mas a conduta atual prioriza a estabilização da via aérea e avaliação de imagem.

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