SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Um paciente, vítima de ferimento penetrante por arma branca em zona II cervical, foi levado ao pronto-socorro por transeuntes. A avaliação primária era a seguinte: vias aéreas pérvias; murmúrio vesicular presente bilateralmente; frequência cardíaca de 95 batimentos por minuto, tempo de enchimento capilar menor que 3 segundos, pulso cheio; pupilas isocóricas e fotorreagentes, escala de coma de Glasgow 15; ferimento em zona II cervical à direita de aproximadamente 2,0 cm, sem sangramento ativo, sem outros ferimentos. Não havia saída de ar do ferimento.Considerando esse caso clínico, assinale a alternativa correta, com relação à melhor conduta referente ao quadro clínico apresentado por esse paciente.
Trauma cervical Zona II estável → exames complementares para descartar lesões ocultas antes de cirurgia.
Em ferimentos penetrantes cervicais na Zona II, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais de sangramento ativo ou saída de ar, a exploração cirúrgica mandatória não é a conduta inicial. É fundamental realizar exames complementares como endoscopia digestiva alta, broncoscopia e arteriografia para identificar lesões de estruturas vitais (esôfago, traqueia, vasos) antes de indicar uma cervicotomia exploradora.
Ferimentos penetrantes cervicais representam um desafio significativo no trauma devido à complexidade anatômica da região e à presença de estruturas vitais. A divisão do pescoço em três zonas (I, II e III) auxilia na estratificação do risco e na definição da conduta. A Zona II, que se estende da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula, é particularmente crítica por abrigar a maioria das estruturas vitais, como a traqueia, esôfago, grandes vasos (carótidas e jugulares) e nervos importantes. A avaliação inicial de um paciente com trauma cervical deve seguir os princípios do ATLS, priorizando a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. Em pacientes hemodinamicamente instáveis ou com sinais de lesão vascular ou de via aérea óbvios, a exploração cirúrgica imediata (cervicotomia exploradora) é indicada. No entanto, para pacientes estáveis, como o descrito no caso, a conduta evoluiu de uma abordagem mais agressiva (cervicotomia mandatória) para uma investigação seletiva. A estratégia atual para pacientes estáveis com ferimentos em Zona II inclui a realização de exames complementares para descartar lesões ocultas. A endoscopia digestiva alta avalia o esôfago, a broncoscopia verifica a traqueia e a arteriografia (ou angiotomografia) é crucial para lesões vasculares. Somente após a identificação de uma lesão que necessite de reparo cirúrgico, ou se houver deterioração clínica, a cervicotomia exploradora é realizada. Essa abordagem seletiva visa reduzir a morbidade associada a cirurgias desnecessárias.
A Zona I vai da clavícula à cartilagem cricoide; a Zona II, da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula; e a Zona III, do ângulo da mandíbula à base do crânio, cada uma com riscos específicos.
A Zona II contém estruturas vitais como traqueia, esôfago, artérias carótidas, veias jugulares, nervos e coluna vertebral, tornando as lesões nesta área potencialmente graves e complexas de manejar.
Endoscopia digestiva alta, broncoscopia e arteriografia (ou angiotomografia) são essenciais para avaliar lesões de esôfago, traqueia e vasos, respectivamente, antes de uma possível exploração cirúrgica.
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