Trauma Cervical Penetrante: Diagnóstico e Manejo

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, com 32 anos de idade, foi admitido no pronto-socorro apresentando ferimento por arma branca na região cervical direita anterior ao músculo esternocleidomastóide, na altura da cartilagem tireoide. Ao exame físico, apresentava hematoma não pulsátil, estava hemodinamicamente estável, sem dificuldade respiratória. A ferida cirúrgica foi explorada parcialmente na sala de emergência, o que mostrou que o músculo platisma fora atingido.Em relação à abordagem do paciente desse caso clínico, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Não está indicada a realização de tomografia computadorizada região cervical.
  2. B) Caso haja suspeita de lesão vascular, o exame de escolha inicial seria a angio TC.
  3. C) Há indicação para a realização de angiografia em virtude da possibilidade de realizar terapêutica associada.
  4. D) Em virtude da lesão do músculo platisma, é obrigatória a cervicotomia exploradora de rotina.

Pérola Clínica

Trauma cervical penetrante estável com suspeita vascular → Angio TC é exame de escolha inicial.

Resumo-Chave

Em pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma cervical penetrante e suspeita de lesão vascular, a angiotomografia cervical é o método de imagem de escolha para avaliar a extensão da lesão e guiar a conduta, evitando explorações cirúrgicas desnecessárias.

Contexto Educacional

O trauma cervical penetrante é uma emergência médica que exige avaliação rápida e precisa devido à proximidade de estruturas vitais como vasos sanguíneos, via aérea e trato digestório. A mortalidade e morbidade estão diretamente relacionadas à extensão e ao manejo adequado das lesões. A classificação em zonas (I, II, III) auxilia na abordagem, sendo a Zona II a mais frequentemente acometida. A avaliação inicial foca na estabilização do paciente e na identificação de sinais de alarme para lesões graves. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a angiotomografia cervical tornou-se o exame de escolha para investigar lesões vasculares, pois oferece alta sensibilidade e especificidade, permitindo um planejamento terapêutico mais seguro e evitando explorações cirúrgicas desnecessárias. Sinais como hematoma não pulsátil, sopro ou frêmito devem levantar a suspeita de lesão vascular. O tratamento pode variar desde a observação em casos de baixo risco até a exploração cirúrgica ou endovascular para lesões confirmadas. A decisão de explorar cirurgicamente de rotina ferimentos que penetram o platisma tem sido substituída por uma abordagem seletiva baseada na clínica e nos exames de imagem, otimizando os recursos e reduzindo a morbidade associada a cirurgias desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são as zonas anatômicas do pescoço no trauma e sua relevância?

As zonas são: Zona I (base do pescoço), Zona II (entre cartilagem cricoide e ângulo da mandíbula) e Zona III (acima do ângulo da mandíbula). A Zona II é a mais comum e acessível cirurgicamente, mas a angio TC é crucial para avaliar lesões vasculares em pacientes estáveis.

Quando a angiotomografia cervical é indicada no trauma penetrante?

É indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com ferimentos cervicais penetrantes e suspeita de lesão vascular, como hematoma não pulsátil, sopro, frêmito, ou déficits neurológicos, para mapear a lesão antes de uma possível intervenção.

Qual a importância da lesão do músculo platisma no trauma cervical?

A lesão do platisma indica que o ferimento é penetrante, o que eleva a preocupação com lesões de estruturas mais profundas, como vasos, via aérea ou trato digestório. No entanto, não implica exploração cirúrgica obrigatória se o paciente estiver estável e assintomático, permitindo investigação por imagem.

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