Trauma Cervical Penetrante: Manejo e Diagnóstico na Zona II

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 35 anos é levado ao departamento de emergência após uma briga de bar. Ele tem um ferimento por arma branca de 3 cm no hemitórax direito, de aproximadamente 5 cm lateralmente e logo acima do mamilo. Informa que o ferimento foi provocado por uma faca. Está consciente e orientado, embora embriagado, e reclama muito de dor no lado direito do tórax. Seus sinais vitais iniciais são: FC 96 bpm; PA 110/63 mmHg; FR 20 ipm e saturação de 98% em ar ambiente.Se o ferimento desse paciente estivesse localizado no pescoço, acima da cartilagem cricoide, mas abaixo do ângulo da mandíbula, qual dos seguintes testes diagnósticos seria indicado?

Alternativas

  1. A) Nenhum, deve-se tratar com observação e internação para exames seriados;
  2. B) Angiotomografia computadorizada do pescoço para avaliação dos vasos cervicais;
  3. C) Angiotomografia ou angiografia, mais broncoscopia;
  4. D) Angiotomografia ou angiografia, broncoscopia e esofagogastroduodenoscopia.

Pérola Clínica

Trauma penetrante Zona II estável → Angio-TC + Broncoscopia + Endoscopia para excluir lesões ocultas.

Resumo-Chave

Em ferimentos cervicais penetrantes na Zona II em pacientes estáveis, a investigação deve ser tripla para avaliar vasos, via aérea e esôfago.

Contexto Educacional

O manejo do trauma cervical evoluiu da exploração obrigatória para a exploração seletiva baseada em exames diagnósticos. A Zona II é a mais acessível cirurgicamente, mas a investigação sistemática previne sequelas graves. A tríade diagnóstica (vascular, aérea e digestiva) é o padrão-ouro para pacientes estáveis, garantindo que lesões de esôfago e traqueia, que podem ser silenciosas inicialmente, sejam identificadas antes de complicações sépticas.

Perguntas Frequentes

Quais são os limites anatômicos da Zona II do pescoço?

A Zona II do pescoço é a região anatômica compreendida entre a cartilagem cricoide (limite inferior) e o ângulo da mandíbula (limite superior). É a zona mais frequentemente acometida em traumas penetrantes e, historicamente, era a que mais recebia indicação de exploração cirúrgica imediata. Atualmente, em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais de 'hard signs' (sangramento ativo, hematoma expansivo, choque), a conduta tende a ser a investigação seletiva com exames de imagem e endoscópicos para evitar cervicotomias desnecessárias.

Por que realizar broncoscopia e endoscopia no trauma de Zona II?

A Angiotomografia (CTA) possui alta sensibilidade para lesões vasculares, porém sua sensibilidade para lesões de via aérea e, principalmente, lesões esofágicas é menor. O esôfago é uma estrutura colabada e lesões pequenas podem passar despercebidas na TC. Portanto, a broncoscopia e a esofagogastroduodenoscopia (ou esofagograma) são fundamentais para excluir lesões aerodigestivas ocultas que, se não tratadas precocemente, podem evoluir com mediastinite e alta morbimortalidade.

Quando a exploração cirúrgica imediata é indicada no trauma cervical?

A exploração cirúrgica imediata (cervicotomia) está indicada na presença de 'hard signs' de lesão vascular ou aerodigestiva. Isso inclui instabilidade hemodinâmica, sangramento arterial pulsátil, hematoma em rápida expansão, sopro ou frêmito cervical, enfisema subcutâneo massivo, saída de ar pela ferida ou hematêmese/hemoptise volumosa. Na ausência desses sinais e com o paciente estável, opta-se pela propedêutica armada para guiar a conduta.

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