SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Um homem de 26 anos se apresenta de ambulância após ser esfaqueado no pescoço. Os paramédicos estabeleceram um acesso intravenoso de grande calibre na extremidade superior direita do paciente no campo, e os fluidos estão sendo infundidos. Os sinais vitais incluem Pressão Arterial= 118/72 mmHg, Frequência Cardíaca= 115 bpm, Frequência Respiratória =24 irpm; Saturação de O2= 99%, com 6L de oxigênio via cânula nasal. Ao exame, o paciente está acordado e alerta. A ferida está na região cervical anterior esquerda, entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula. Há sangramento ativo no local e um hematoma em expansão subjacente. O paciente diz que sua garganta está apertada e que ele não consegue engolir, e sua namorada diz que sua voz soa estranha. Além de aplicar pressão direta na ferida, qual é o melhor próximo passo no manejo?
Trauma cervical penetrante + hematoma em expansão + disfagia/disfonia → Intubação orotraqueal precoce para via aérea.
Em trauma cervical penetrante, sinais como hematoma em expansão, disfagia, disfonia ou sensação de garganta apertada indicam comprometimento iminente da via aérea. A intubação orotraqueal precoce é crucial para evitar a perda completa da via aérea.
O trauma cervical penetrante é uma emergência médica que exige avaliação e manejo rápidos, com prioridade máxima para a via aérea. A região do pescoço contém estruturas vitais como vias aéreas, vasos sanguíneos importantes e nervos, tornando qualquer lesão potencialmente fatal. No caso apresentado, o paciente exibe sinais claros de comprometimento iminente da via aérea: hematoma em expansão (indicando sangramento ativo e compressão), sensação de garganta apertada, disfagia (dificuldade para engolir) e disfonia (voz estranha), que sugerem lesão laríngea/traqueal ou compressão extrínseca significativa. A abordagem inicial no trauma segue o protocolo ABCDE. No 'A' (Airway), a manutenção da via aérea é primordial. Diante de um hematoma cervical em expansão e sintomas de obstrução, a via aérea pode ser rapidamente comprometida pelo edema e sangramento. A intubação orotraqueal precoce, enquanto a via aérea ainda é permeável, é a conduta mais segura e eficaz para garantir a ventilação e oxigenação do paciente. Esperar pode levar a uma via aérea completamente obstruída, tornando a intubação impossível e exigindo uma via aérea cirúrgica de emergência (cricotirotomia), que é um procedimento mais complexo e com maiores riscos. Exames de imagem como angiografia ou tomografia cervical com contraste são importantes, mas secundários à estabilização da via aérea. A cricotirotomia é uma opção de resgate quando a intubação falha. Portanto, a intubação orotraqueal é o passo imediato para assegurar a via aérea e prevenir uma catástrofe. Este é um conceito fundamental para residentes de emergência, cirurgia do trauma e terapia intensiva.
Sinais incluem hematoma cervical em expansão, enfisema subcutâneo, estridor, rouquidão (disfonia), disfagia, dor à palpação da laringe e sensação de garganta apertada.
O hematoma em expansão e os sintomas de disfagia e disfonia sugerem compressão e edema das estruturas da via aérea. A intubação precoce garante a patência da via aérea antes que o edema progrida e a intubação se torne extremamente difícil ou impossível.
A cricotirotomia é reservada para situações de 'não intuba, não ventila', ou seja, quando a intubação orotraqueal falha e há necessidade urgente de estabelecer uma via aérea definitiva.
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