Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um paciente de 45 anos de idade, vítima de ferimento por uma faca em zona II cervical à esquerda, foi levado ao serviço de emergência. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a circunstância em que não está indicada a cervicotomia exploradora no tipo de lesão do paciente.
Ferimento cervical penetrante: lesão muscular isolada NÃO indica cervicotomia exploradora imediata.
A cervicotomia exploradora em ferimentos cervicais penetrantes é indicada na presença de sinais de lesão de estruturas vitais (vasos, via aérea, esôfago), como sangramento ativo, hematoma em expansão, saída de ar ou saliva pelo orifício. A lesão de músculo cervical isolada, sem outros sinais de comprometimento de estruturas nobres, não é uma indicação para exploração cirúrgica imediata, podendo ser manejada de forma mais conservadora ou com exames complementares.
O trauma cervical penetrante é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e precisa devido à presença de estruturas vitais em uma área anatômica relativamente pequena. A decisão de realizar uma cervicotomia exploradora é crítica e deve ser baseada em critérios bem definidos para evitar morbidade desnecessária. Residentes em cirurgia geral e emergência devem dominar o manejo desses pacientes. A avaliação inicial inclui a estabilização do paciente e a busca por sinais de lesão de via aérea, vascular ou digestiva. A zona II do pescoço, onde o paciente do caso foi ferido, é a mais frequentemente acometida e a mais acessível à exploração cirúrgica. No entanto, nem todo ferimento penetrante requer cirurgia. As indicações para cervicotomia exploradora imediata são a presença de sinais "duros" de lesão, como sangramento ativo, hematoma em expansão, sopro ou frêmito, choque, saída de ar ou saliva pelo ferimento, disfonia, disfagia, estridor ou enfisema subcutâneo. A lesão de músculo cervical por si só, sem esses sinais de comprometimento de estruturas nobres, não é uma indicação para exploração cirúrgica, podendo ser manejada com exames de imagem (angiotomografia, esofagoscopia, broncoscopia) para descartar lesões ocultas.
O pescoço é dividido em três zonas: Zona I (base do pescoço, entre clavículas e cartilagem cricoide), Zona II (entre cartilagem cricoide e ângulo da mandíbula) e Zona III (acima do ângulo da mandíbula até a base do crânio). A Zona II é a mais comum para lesões e a mais acessível cirurgicamente.
Sinais de lesão de estruturas vitais incluem sangramento ativo e pulsátil, hematoma cervical em expansão, sopro ou frêmito cervical, saída de ar ou saliva pelo orifício da lesão, disfonia, disfagia, estridor, enfisema subcutâneo e déficits neurológicos focais.
A lesão de músculo cervical isolada, sem comprometimento de vasos maiores, via aérea ou trato digestivo, não representa uma ameaça imediata à vida ou à função de órgãos vitais. Nesses casos, a exploração cirúrgica pode ser evitada, optando-se por observação ou exames complementares para descartar lesões mais profundas.
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