SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2026
As lesões no pescoço envolvem múltiplas estruturas vitais em proximidade, complicando o diagnóstico, a exposição e o tratamento. Lesões penetrantes, como ferimentos por arma de fogo e facadas, são os mecanismos mais comuns e podem causar lacerações diretas em estruturas vasculares e aerodigestivas. Qual das seguintes afirmações sobre lesões penetrantes no pescoço é CORRETA?
Trauma cervical penetrante → Risco iminente de lesão vascular e contaminação aerodigestiva.
Ferimentos que atravessam o músculo platisma são considerados penetrantes e exigem avaliação cuidadosa, pois a proximidade de vasos e vias aerodigestivas predispõe a lesões combinadas e contaminação.
O trauma cervical penetrante representa um desafio cirúrgico devido à alta densidade de estruturas vitais em um espaço anatômico reduzido. Os mecanismos mais comuns são ferimentos por arma branca (FAB) e ferimentos por arma de fogo (FAF). Enquanto os FABs tendem a ter trajetos mais previsíveis, os FAFs causam danos por cavitação e fragmentação, aumentando a probabilidade de lesões multissistêmicas. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS, com foco na manutenção da via aérea, que pode ser comprometida por hematomas expansivos ou lesão direta da laringotraqueia. Lesões vasculares (carótidas e vertebrais) podem se manifestar como choque hemorrágico ou déficits neurológicos isquêmicos. A contaminação aerodigestiva é uma preocupação crítica; lesões esofágicas são frequentemente sutis no início, mas altamente letais se não diagnosticadas precocemente devido ao risco de infecção cervical profunda e mediastinite. O exame físico minucioso, buscando sinais de 'hard signs' (sangramento ativo, hematoma pulsátil, sopros, estridor), dita a necessidade de cirurgia imediata versus investigação diagnóstica por imagem.
Um ferimento cervical é definido como penetrante quando a lesão atravessa o músculo platisma. Se o platisma estiver íntegro, a lesão é considerada superficial. Uma vez violado, há risco de dano a estruturas vitais como as artérias carótidas, veias jugulares, traqueia, esôfago e nervos cranianos.
As lesões aerodigestivas (laringe, traqueia, faringe e esôfago) podem causar insuficiência respiratória imediata, enfisema subcutâneo e pneumotórax. Além disso, a perfuração do trato digestivo superior (esôfago) resulta em contaminação bacteriana grave dos espaços cervicais profundos, podendo evoluir para mediastinite necrotizante.
Historicamente, o pescoço é dividido em Zona I (base do pescoço), Zona II (ângulo da mandíbula à cricoide) e Zona III (acima do ângulo da mandíbula). Embora a exploração cirúrgica mandatória para a Zona II tenha sido a regra, a tendência atual (No-Zone approach) foca na estabilidade clínica e no uso de angiotomografia para guiar a conduta, independentemente da zona.
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