Manejo do Trauma Cervical Penetrante Estável

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Julio, 28 anos, é levado ao pronto-socorro após sofrer um ferimento por arma branca na região cervical, localizado no terço médio à direita, entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula. Ao exame inicial, o paciente apresenta-se consciente, orientado, com vias aéreas pérvias e sem sinais de desconforto respiratório. A pressão arterial é de 128x84 mmHg, a frequência cardíaca é de 76 bpm e a saturação de oxigênio é de 98% em ar ambiente. Durante a inspeção, nota-se que o ferimento atravessa o músculo platisma, porém não há sangramento ativo vultoso, hematomas em expansão, enfisema subcutâneo, sopros ou frêmitos cervicais. O paciente não apresenta disfonia ou disfagia. Diante da estabilidade clínica e da ausência de sinais de alarme no exame físico, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Realizar angiotomografia cervical.
  2. B) Manter observação clínica por 6 horas e dar alta se assintomático.
  3. C) Indicar cervicotomia exploradora imediata.
  4. D) Proceder com exploração digital da ferida no pronto-socorro.

Pérola Clínica

Platisma violado em paciente estável → Angio-TC cervical (Abordagem 'No-Zone').

Resumo-Chave

Em pacientes com trauma cervical penetrante estáveis e sem sinais de alarme ('hard signs'), a propedêutica armada com Angio-TC substitui a exploração cirúrgica mandatória.

Contexto Educacional

O manejo do trauma cervical evoluiu da exploração cirúrgica mandatória para a conduta seletiva baseada em exames de imagem de alta resolução. A anatomia cervical é dividida classicamente em três zonas, sendo a Zona II a mais acessível cirurgicamente, mas a Angio-TC tornou-se o padrão-ouro para triagem em pacientes hemodinamicamente estáveis. A avaliação inicial deve focar na identificação de 'hard signs' que exigem intervenção imediata. Em pacientes assintomáticos com lesão de platisma, a observação isolada é insuficiente devido ao risco de lesões ocultas, especialmente esofágicas ou vasculares venosas, justificando o uso da tomografia computadorizada multislice para um diagnóstico preciso e seguro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme (hard signs) no trauma cervical?

Os sinais de alarme que indicam exploração cirúrgica imediata incluem choque refratário, hematoma em expansão ou pulsátil, sangramento arterial ativo, sopros ou frêmitos, enfisema subcutâneo massivo, estridor, déficit neurológico focal e saída de ar ou saliva pela ferida. Na ausência destes, a investigação por imagem é preferível para evitar cirurgias brancas.

O que define a violação do platisma no trauma?

A violação do músculo platisma define o ferimento como penetrante. Se a pele for atingida mas o platisma estiver íntegro, o ferimento é superficial e pode ser suturado após limpeza. Se ultrapassado, há risco de lesão de estruturas vitais (vasos, via aérea, esôfago), exigindo investigação adicional em pacientes estáveis.

Qual a conduta na Zona II cervical em pacientes estáveis?

Atualmente, adota-se a abordagem 'No-Zone', onde a estabilidade clínica dita a conduta em vez da localização anatômica rígida. Pacientes estáveis sem sinais de alarme devem realizar Angio-TC para avaliar lesões vasculares e aerodigestivas, permitindo um manejo conservador ou minimamente invasivo quando possível.

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