UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 22a, procura atendimento médico por acidente na região cervical anterior com linha de cerol. Exame físico: PA= 124x78 mmHg, FC= 80bpm, FR= 16irpm, Oximetria de pulso (ar ambiente)= 97%; neurológico: Escala de Coma de Glasgow= 15 e pupilas isofotorreagentes; região cervical: lesão cortante horizontal em torno de 2,5 cm abaixo da cartilagem tireoide, com entrada e saída de ar conforme movimento respiratório e mínimo sangramento. A CONDUTA INICIAL É:
Lesão cervical penetrante com borbulhamento de ar → Via aérea definitiva é prioridade máxima.
A presença de entrada e saída de ar (borbulhamento) em uma lesão cervical penetrante indica comunicação direta com a via aérea (traqueia ou laringe). Nesses casos, a prioridade absoluta é o estabelecimento de uma via aérea definitiva para prevenir aspiração, edema e obstrução, mesmo que o paciente esteja hemodinamicamente estável inicialmente.
O trauma cervical penetrante é uma emergência médica que exige avaliação e manejo rápidos, especialmente quando há suspeita de lesão de via aérea. A região cervical abriga estruturas vitais como traqueia, esôfago, vasos sanguíneos e nervos, tornando qualquer lesão potencialmente fatal. A identificação precoce de comprometimento da via aérea é crucial para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia da lesão de via aérea envolve a interrupção da integridade da traqueia ou laringe, levando a extravasamento de ar, enfisema subcutâneo e risco de obstrução por edema ou hematoma. O borbulhamento de ar na ferida é um sinal patognomônico de lesão traqueal ou laríngea. A avaliação primária (ABCDE) deve focar na permeabilidade da via aérea, respiração e circulação, mesmo em pacientes inicialmente estáveis. A conduta inicial em caso de lesão de via aérea confirmada ou suspeita é o estabelecimento de uma via aérea definitiva. Isso pode ser feito por intubação orotraqueal, se a laringoscopia for possível e segura, ou por via cirúrgica (cricotireoidostomia ou traqueostomia de emergência) se a intubação for contraindicada ou impossível. O atraso no manejo da via aérea pode levar a complicações graves como hipóxia, aspiração e óbito.
Sinais incluem borbulhamento de ar no ferimento, rouquidão, estridor, enfisema subcutâneo, dispneia e hemoptise. A presença de borbulhamento é um sinal direto de comunicação com a via aérea.
A via aérea definitiva previne a aspiração de sangue ou secreções, controla o edema das vias aéreas e garante a ventilação e oxigenação adequadas, evitando uma obstrução iminente.
As opções incluem intubação orotraqueal (se possível e segura), cricotireoidostomia cirúrgica ou por punção, e traqueostomia de emergência, dependendo da extensão da lesão e da experiência do profissional.
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