Trauma Cervical: Manejo da Via Aérea Obstruída na Emergência

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente vítima de agressão por faca na região cervical anterior, é trazido deambulando ao pronto-socorro pela família relatando falta de ar e sangramento de moderada monta pela boca. Ao exame, ouve-se estridor laríngeo, mas não emite palavras inteligíveis, FC 120 bpm, PA = 90x60 mmHg, SaO₂ = 91%. Em relação ao atendimento inicial, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a equipe multidisciplinar tem que ser acionada a fim de que a psicóloga inicie o atendimento já no local.
  2. B) o cirurgião de cabeça e pescoço é responsável pelo atendimento.
  3. C) a intubação orotraqueal está indicada.
  4. D) a permeabilidade da via aérea é preferencialmente cirúrgica.
  5. E) inicialmente tem que se aspirar as vias aéreas e aplicar máscara de oxigênio.

Pérola Clínica

Trauma cervical com estridor + instabilidade hemodinâmica → via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia) é preferencial.

Resumo-Chave

Paciente com trauma cervical penetrante, estridor laríngeo e incapacidade de emitir palavras inteligíveis indica obstrução iminente ou já instalada da via aérea. A presença de sangramento pela boca e instabilidade hemodinâmica (PA 90x60, FC 120, SaO2 91%) agrava o quadro, tornando a via aérea cirúrgica a opção mais segura e rápida, devido à alta probabilidade de intubação orotraqueal difícil ou falha.

Contexto Educacional

O trauma cervical anterior, especialmente por arma branca, é uma emergência médica que exige avaliação e intervenção rápidas, com prioridade máxima para a manutenção da via aérea. A região cervical abriga estruturas vitais como via aérea (laringe, traqueia), vasos sanguíneos (carótidas, jugulares) e esôfago. A presença de estridor laríngeo, falta de ar e sangramento pela boca em um paciente com trauma cervical indica uma lesão significativa da via aérea, com risco iminente de obstrução total. Nesse cenário, a abordagem da via aérea deve ser agressiva e precoce. O estridor é um sinal de obstrução parcial da via aérea superior, e a incapacidade de emitir palavras inteligíveis sugere comprometimento vocal e laríngeo. A instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão e baixa saturação de oxigênio) reforça a gravidade do quadro. Tentar uma intubação orotraqueal em um paciente com via aérea potencialmente distorcida, edemaciada ou sangrando pode ser extremamente perigoso, transformando uma via aérea difícil em uma via aérea impossível. Conforme os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), em situações de trauma cervical com sinais de obstrução grave da via aérea e risco de falha na intubação orotraqueal, a via aérea cirúrgica, como a cricotireoidostomia, é a conduta preferencial. Esta técnica permite o acesso rápido à via aérea abaixo da obstrução, garantindo a ventilação e oxigenação do paciente, e é uma habilidade essencial para todo residente que atua em emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de obstrução iminente da via aérea em trauma cervical?

Sinais incluem estridor laríngeo, rouquidão, disfonia, dispneia progressiva, enfisema subcutâneo, sangramento ativo na via aérea, incapacidade de falar e agitação ou letargia.

Por que a via aérea cirúrgica é preferencial em casos de trauma cervical com estridor?

A via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia) é preferencial porque a intubação orotraqueal pode ser extremamente difícil ou impossível devido a edema, hematoma, distorção anatômica ou sangramento, e tentativas falhas podem piorar a situação.

Quais são as indicações para uma cricotireoidostomia de emergência?

As indicações incluem falha na intubação orotraqueal, incapacidade de ventilar o paciente, trauma maxilofacial grave, obstrução de via aérea superior por corpo estranho ou edema, e lesões cervicais que comprometem a via aérea superior.

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