Politraumatizado Confuso: Conduta e Exames de Imagem

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025

Enunciado

Ulisses, 25 anos, vitima de colisão auto x anteparo vem trazido pelo SAMU em colar e prancha. Testemunhas relatam que carro passou em alta velocidade. Ele não tem queixas no momento do exame, mas encontra-se um pouco agitado e com a fala arrastada. Ao exame físico, mantinha estabilidade hemodinâmica. Difícil determinar se apresentava dor em algum segmento corporal devido á confusão mental. Frente a este cenário, qual a conduta?

Alternativas

  1. A) Manter colar e prancha e solicitar TC crânio, cervical, tórax e abdome.
  2. B) Após examinar região cervical e abdome e o paciente não relatar dor, é possível colar, pranchar e solicitar RX tórax e bacia e TC crânio.
  3. C) Manter colar e prancha, realizar RX do trauma e encaminhar o paciente ao centro cirúrgico pois trata-se de trauma de alta energia.
  4. D) Retirar colar e prancha e solicitar TC crânio, cervical, tórax e abdome.
  5. E) Manter colar e prancha e solicitar TC tórax e abdome.

Pérola Clínica

Politraumatizado com alteração de consciência → TC corpo total (crânio, cervical, tórax, abdome) + imobilização.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma de alta energia com alteração do nível de consciência (agitação, fala arrastada), a incapacidade de realizar um exame físico confiável justifica uma investigação por imagem mais abrangente, como a TC de corpo total, mantendo a imobilização da coluna.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado é uma das situações mais desafiadoras na medicina de emergência, exigindo uma abordagem sistemática e rápida, conforme preconizado pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support). Traumas de alta energia, como colisões automobilísticas, aumentam significativamente o risco de lesões múltiplas e ocultas, incluindo lesões cranioencefálicas, cervicais, torácicas e abdominais. A avaliação inicial deve focar na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação, enquanto se mantém a imobilização da coluna. A fisiopatologia das lesões em traumas de alta energia é complexa, envolvendo forças de aceleração, desaceleração, compressão e cisalhamento. Em pacientes com alteração do nível de consciência, como agitação ou fala arrastada, a capacidade de relatar dor ou localizar lesões é comprometida, tornando o exame físico menos confiável. Nesses casos, a suspeita de lesões graves deve ser alta, mesmo na ausência de sinais óbvios. A conduta nesses pacientes exige a manutenção da imobilização da coluna vertebral e a realização de exames de imagem abrangentes. A tomografia computadorizada de corpo total (crânio, coluna cervical, tórax e abdome) é a ferramenta diagnóstica de escolha, pois permite identificar rapidamente lesões em múltiplas regiões e guiar o tratamento. O prognóstico depende da rapidez e eficácia do diagnóstico e tratamento das lesões identificadas.

Perguntas Frequentes

Por que a imobilização cervical é crucial em traumas de alta energia?

A imobilização cervical é crucial para prevenir ou minimizar lesões secundárias à coluna vertebral e medula espinhal, especialmente em pacientes com mecanismo de trauma de alta energia ou alteração do nível de consciência que impede a avaliação confiável da dor ou déficits neurológicos.

Quando indicar a TC de corpo total em um paciente traumatizado?

A TC de corpo total é indicada em pacientes com trauma de alta energia, instabilidade hemodinâmica inexplicada, alteração do nível de consciência, múltiplos focos de dor, ou incapacidade de realizar um exame físico completo e confiável devido à condição do paciente.

Qual a importância da avaliação do nível de consciência no trauma?

A avaliação do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow) é vital para identificar lesões intracranianas, avaliar a perfusão cerebral e guiar a necessidade de exames de imagem e intervenções urgentes. Alterações podem indicar lesões graves ou hipoperfusão.

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