SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2016
Considerando que o trauma é uma das principais causas de óbito ou invalidez em indivíduos entre vinte e quarenta anos de idade, julgue o item seguinte: Em casos de traumas abdominais, tanto os ocasionados por contusão quanto aqueles denominados traumas penetrantes, a estabilidade dos níveis de hematócrito e de hemoglobina exclui a possibilidade de sangramento ativo, mesmo nos casos em que há hipotensão arterial associada.
Hematócrito e hemoglobina normais NÃO excluem sangramento ativo no trauma, especialmente na fase inicial.
A estabilidade dos níveis de hematócrito e hemoglobina na fase inicial do trauma, mesmo com sangramento ativo, é um conceito errôneo. A hemodiluição só ocorre após a reposição volêmica ou mobilização de fluidos, o que leva tempo. Portanto, valores normais iniciais não descartam hemorragia significativa, especialmente se houver sinais de choque como hipotensão.
O trauma é uma das principais causas de morbimortalidade global, especialmente em jovens adultos. O trauma abdominal, seja contuso ou penetrante, representa um desafio diagnóstico e terapêutico devido ao risco de sangramento interno maciço e rápido desenvolvimento de choque hemorrágico. A avaliação inicial e o manejo adequado são cruciais para a sobrevida do paciente. Um erro comum na avaliação do trauma é confiar exclusivamente nos níveis iniciais de hematócrito e hemoglobina para descartar sangramento ativo. Na fase aguda de uma hemorragia, o paciente perde sangue total (plasma e elementos figurados), e a hemodiluição que causaria a queda desses valores ainda não ocorreu. Portanto, os níveis podem permanecer normais por horas, mesmo na presença de sangramento significativo e choque. A hipotensão arterial associada a um trauma abdominal, independentemente dos valores iniciais de hematócrito e hemoglobina, deve sempre levantar forte suspeita de sangramento ativo e choque hemorrágico. A avaliação clínica, incluindo sinais vitais, estado de perfusão e exames como o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma), são mais relevantes na fase inicial para identificar e manejar o sangramento. A alternativa, portanto, está errada.
No início de um sangramento agudo, há perda de sangue total (plasma e células). A hemodiluição, que causaria a queda do hematócrito e hemoglobina, só ocorre após a reposição volêmica ou o deslocamento de fluidos intersticiais para o intravascular, o que leva tempo.
Sinais clínicos como taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar prolongado, pele fria e pegajosa, e alteração do nível de consciência são mais confiáveis para indicar choque hemorrágico do que os exames laboratoriais iniciais.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) e a tomografia computadorizada (TC) com contraste são exames cruciais para identificar sangramento intra-abdominal e avaliar a extensão das lesões.
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