UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2021
Rapaz, 22 anos, dá entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com quadro de queda de moto ocorrida há aproximadamente uma hora. Refere que durante o acidente sofreu trauma no abdome com o guidão da moto. Apresenta-se estável hemodinamicamente e refere dor abdominal intensa. Na unidade, é solicitada radiografia simples do abdome que revela presença de ar desenhando a sombra renal direita. Esse sinal sugere a ocorrência de
Ar desenhando sombra renal em trauma abdominal → ruptura de víscera oca retroperitoneal.
A presença de ar desenhando a sombra renal em uma radiografia simples do abdome após trauma é um sinal clássico de pneumoperitônio retroperitoneal. Isso indica a ruptura de uma víscera oca localizada no retroperitônio, como o duodeno, cólon ascendente ou descendente, ou reto, permitindo que o ar extravase para esse espaço.
O trauma abdominal é uma causa significativa de morbimortalidade, e a identificação precoce de lesões é crucial. O trauma por guidão de moto é um mecanismo comum para lesões de vísceras ocas, especialmente as retroperitoneais, devido à compressão direta contra a coluna vertebral. A presença de ar desenhando a sombra renal em uma radiografia simples do abdome é um sinal patognomônico de pneumoperitônio retroperitoneal, indicando uma ruptura de víscera oca nesse compartimento. O espaço retroperitoneal contém órgãos como o duodeno, pâncreas, rins, ureteres e grandes vasos. A ruptura de uma víscera oca retroperitoneal, como o duodeno, pode ser insidiosa, pois os sinais de peritonite podem ser menos evidentes inicialmente. O extravasamento de ar e conteúdo intestinal para o retroperitônio pode levar a infecção e sepse se não for prontamente diagnosticado e tratado. Para residentes, é vital reconhecer esse sinal radiográfico e diferenciá-lo do pneumoperitônio intraperitoneal. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar a lesão e planejar a intervenção cirúrgica. O manejo envolve estabilização do paciente, antibioticoterapia e reparo cirúrgico da lesão, com o objetivo de prevenir complicações graves como abscesso retroperitoneal e sepse.
As vísceras ocas localizadas no retroperitônio que podem causar ar retroperitoneal em caso de ruptura incluem o duodeno (especialmente a segunda e terceira porções), o cólon ascendente, o cólon descendente e o reto. Lesões nessas estruturas permitem o extravasamento de ar para o espaço retroperitoneal.
Em uma radiografia simples do abdome, o ar retroperitoneal pode se manifestar delineando as sombras dos rins, do músculo psoas, do diafragma ou de outros órgãos retroperitoneais. Pode também apresentar um padrão bolhoso ou linear, diferente do ar livre subdiafragmático do pneumoperitônio intraperitoneal.
A conduta inicial para um paciente com suspeita de ruptura de víscera oca retroperitoneal após trauma inclui estabilização hemodinâmica, avaliação completa do trauma (ABCDE), exames de imagem adicionais como tomografia computadorizada com contraste para confirmar a lesão e, frequentemente, exploração cirúrgica para reparo da víscera lesada.
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