Trauma Abdominal Penetrante: Conduta na Instabilidade

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 24 anos de idade deu entrada no serviço de emergência por meios próprios, com queixa de fraqueza e dor abdominal. Foi prontamente atendido pelo médico do pronto-socorro, que o colocou em uma maca para a realização de analgesia, hidratação endovenosa e coleta de exames laboratoriais. Ao despir o paciente para a colocação de vestes hospitalares, percebeu um ferimento abdominal suturado. Ao questionar o paciente sobre o ferimento, este referiu ter levado uma facada em uma briga de bar há aproximadamente 24 horas. Passou em consulta em outro serviço, onde suturaram o ferimento e deram alta com analgesia simples. A equipe cirúrgica de plantão fora chamada para avaliar o paciente, que estava descorado, letárgico, diaforético, com FC de 120 bpm e PA de 80 x 60 mmHg, queixando-se de dor abdominal intensa à palpação, com piora após descompressão brusca. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta a ser adotada no momento. 

Alternativas

  1. A) aguardar o resultado dos exames laboratoriais já solicitados para a realização de tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste, EV 
  2. B) realizar hemotransfusão, solicitar a tipagem sanguínea e realizar a transfusão de sangue com tipo específico
  3. C) realizar hemotransfusão, solicitar a tipagem sanguínea e realizar, incialmente, a transfusão de sangue tipo O negativo
  4. D) colher a tipagem sanguínea e realizar laparotomia exploradora, com reanimação volêmica, no centro cirúrgico
  5. E) colher a tipagem sanguínea e realizar laparoscopia diagnóstica após a compensação hemodinâmica do doente

Pérola Clínica

Trauma abdominal penetrante + instabilidade hemodinâmica + sinais de peritonite = Laparotomia exploradora imediata.

Resumo-Chave

Paciente com trauma abdominal penetrante, instabilidade hemodinâmica (PA 80x60, FC 120) e sinais de irritação peritoneal (dor intensa, descompressão brusca positiva) tem indicação absoluta de laparotomia exploradora de emergência. A reanimação volêmica deve ser iniciada concomitantemente, e a tipagem sanguínea é essencial, mas não deve atrasar a cirurgia.

Contexto Educacional

O trauma abdominal penetrante é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e tomada de decisão precisa. A apresentação clínica de um paciente com ferimento por arma branca no abdome, que evolui com choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão, letargia, diaforese) e sinais de peritonite (dor intensa, descompressão brusca positiva), indica lesão visceral grave, provavelmente com sangramento ativo ou extravasamento de conteúdo gastrointestinal. Nesse cenário de instabilidade hemodinâmica e peritonite, a laparotomia exploradora é a conduta de escolha e deve ser realizada de forma emergencial. Exames complementares como a tomografia computadorizada são contraindicados, pois atrasam a intervenção cirúrgica e podem comprometer o prognóstico do paciente. A reanimação volêmica com cristaloides e/ou hemoderivados deve ser iniciada imediatamente e mantida durante todo o processo, incluindo o transporte para o centro cirúrgico. A coleta de tipagem sanguínea é importante para a transfusão de hemoderivados, mas não deve atrasar a cirurgia. Em situações de emergência extrema, pode-se iniciar a transfusão de sangue O negativo (universal) enquanto se aguarda a tipagem e prova cruzada. O objetivo principal é controlar a hemorragia e reparar as lesões viscerais o mais rápido possível para reverter o choque e prevenir complicações como sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações absolutas de laparotomia exploradora no trauma abdominal?

As indicações absolutas incluem instabilidade hemodinâmica com fonte de sangramento abdominal presumida, sinais de irritação peritoneal, evisceração, pneumoperitônio, lesão diafragmática suspeita e sangramento gastrointestinal maciço.

Por que a tomografia não é a primeira conduta nesse caso?

A tomografia computadorizada é contraindicada em pacientes com instabilidade hemodinâmica no trauma abdominal, pois o tempo gasto no exame pode atrasar a intervenção cirúrgica salvadora. A prioridade é a estabilização e a cirurgia.

Qual a importância da reanimação volêmica concomitante à laparotomia?

A reanimação volêmica é crucial para combater o choque hipovolêmico e manter a perfusão orgânica enquanto a fonte do sangramento é controlada cirurgicamente. Deve ser iniciada imediatamente e continuada durante o transporte e no centro cirúrgico.

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