HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024
Um homem de 45 anos foi vítima de ferimento por arma branca na região epigástrica e dá entrada na sala de trauma apresentando palidez cutaneomucosa (++/4+), PA 90x60 mmHg, FC 110 bpm e FR de 31 irpm. Ao exame físico não se evidencia saída de sangue do ferimento. No entanto, à palpação abdominal observa-se endurecimento (abdome em tábua) e o paciente se encontra agitado e pouco colaborativo. Assinale a alternativa que descreve a conduta diagnóstica mais adequada para o caso.
Trauma abdominal penetrante + instabilidade hemodinâmica + sinais de peritonite → Laparotomia exploradora imediata.
O paciente apresenta sinais claros de choque (PA baixa, FC elevada, palidez) e peritonite (abdome em tábua, agitação) após um ferimento por arma branca na região epigástrica. Essa combinação configura um abdome agudo traumático com indicação formal e imediata de laparotomia exploradora, sem a necessidade de exames complementares que atrasariam a intervenção salvadora.
O trauma abdominal é uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes vítimas de trauma, e o manejo adequado é crucial para o prognóstico. Ferimentos por arma branca na região epigástrica têm alto risco de lesão de órgãos intra-abdominais, como estômago, fígado, baço, pâncreas e vasos sanguíneos importantes. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização do paciente e a identificação de lesões com risco de vida. A presença de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, palidez) em um paciente com trauma abdominal penetrante é um sinal de alerta máximo para hemorragia interna significativa. Além disso, sinais de peritonite, como o "abdome em tábua" e a agitação psicomotora, indicam irritação do peritônio por extravasamento de conteúdo gastrointestinal ou sangue, sugerindo lesão visceral. Nesse cenário de instabilidade hemodinâmica e sinais de peritonite, a laparotomia exploradora é a conduta diagnóstica e terapêutica de escolha e deve ser realizada imediatamente. Exames complementares como FAST ou tomografia computadorizada são contraindicados, pois atrasam a intervenção cirúrgica salvadora e não alteram a decisão de operar, que já é evidente pelos achados clínicos. A prioridade é controlar a hemorragia e reparar as lesões viscerais o mais rápido possível.
Os critérios incluem instabilidade hemodinâmica persistente, sinais de peritonite (abdome em tábua, dor à descompressão), evisceração, sangramento gastrointestinal ativo por sonda nasogástrica ou retal, pneumoperitônio e ferimentos por arma de fogo transfixantes.
O FAST (Focused Assessment Sonography for Trauma) e a Tomografia Computadorizada (TC) são úteis para pacientes estáveis. Neste caso, o paciente está hemodinamicamente instável e apresenta sinais de peritonite, indicando lesão grave e sangramento intra-abdominal. Qualquer atraso para realizar esses exames pode ser fatal, sendo a laparotomia exploradora a conduta prioritária.
"Abdome em tábua" refere-se à rigidez muscular involuntária da parede abdominal, que é um sinal clássico de peritonite. No contexto de trauma abdominal penetrante, sugere irritação peritoneal por sangue, conteúdo intestinal ou outros fluidos, indicando uma lesão visceral grave.
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