UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023
Homem, 21 anos de idade, é trazido à emergência após briga com vizinho. Apresenta ferimento por arma branca, único, na região periumbilical, está hemodinamicamente estável, acordado, lúcido e consciente. Queixa-se de dor ao redor do ferimento, mas não tem defesa ou sinais de irritação peritoneal. Ao ser realizado o FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) na sala de emergência, não demonstrou líquido livre na cavidade peritoneal. Nesse caso, qual a conduta mais adequada?
Ferimento abdominal penetrante estável, FAST negativo, sem irritação peritoneal → Exploração digital do ferimento para avaliar penetração.
Em pacientes hemodinamicamente estáveis com ferimento por arma branca abdominal, sem sinais de irritação peritoneal e FAST negativo, a exploração digital do ferimento sob anestesia local é a conduta mais adequada. Isso permite determinar se houve penetração na cavidade peritoneal, o que indicaria a necessidade de exploração cirúrgica (laparotomia ou laparoscopia).
O trauma abdominal penetrante, como o causado por ferimentos por arma branca, é uma causa significativa de morbimortalidade e exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica sistemática. A avaliação inicial foca na estabilidade hemodinâmica do paciente e na presença de sinais de irritação peritoneal. Pacientes hemodinamicamente instáveis ou com sinais claros de peritonite requerem laparotomia exploradora imediata. Para pacientes hemodinamicamente estáveis, a conduta é mais complexa e visa evitar laparotomias desnecessárias, ao mesmo tempo em que se garante a identificação de lesões que necessitam de reparo cirúrgico. A exploração digital do ferimento, realizada sob anestesia local, é um passo crucial para determinar a profundidade da lesão. Se o ferimento penetrar o peritônio, a exploração cirúrgica (laparoscopia ou laparotomia) é indicada. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é útil para detectar líquido livre, mas um resultado negativo não exclui penetração ou lesões viscerais. Outras ferramentas diagnósticas incluem o lavado peritoneal diagnóstico (LPD) e a tomografia computadorizada (TC) com contraste, especialmente para lesões em flancos e dorso. A decisão entre observação, exploração digital, laparoscopia ou laparotomia depende de uma avaliação cuidadosa de todos os achados clínicos e de imagem. Residentes devem dominar a semiologia do trauma abdominal e as indicações de cada método diagnóstico e terapêutico para otimizar o manejo e o prognóstico dos pacientes.
A exploração digital de um ferimento abdominal é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de irritação peritoneal e com exames de imagem (como FAST) negativos para líquido livre. Ela é realizada sob anestesia local para determinar se o ferimento penetrou a cavidade peritoneal.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta rápida e não invasiva para detectar líquido livre na cavidade peritoneal, indicando sangramento. Embora um FAST negativo seja tranquilizador em pacientes estáveis, ele não exclui completamente lesões viscerais ou penetração do peritônio, necessitando de investigação adicional.
A laparoscopia exploradora é a conduta mais adequada quando há suspeita de penetração peritoneal ou lesão visceral em pacientes estáveis, especialmente após a exploração digital do ferimento confirmar a penetração. Ela permite a visualização direta da cavidade, identificação e tratamento de lesões, sendo menos invasiva que a laparotomia em casos selecionados.
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