Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2020
Paciente feminina, 23 anos, vítima de ferimento por arma branca em região anterior do abdome. Encontra-se instável, hipotensa, taquicárdica, sem resposta à expansão volêmica com cristaloides e hemoderivados. A conduta MAIS adequada neste caso é:
Trauma abdominal penetrante + instabilidade hemodinâmica refratária → Laparotomia exploradora imediata.
Em pacientes com trauma abdominal penetrante (como ferimento por arma branca) e instabilidade hemodinâmica persistente ou refratária à ressuscitação volêmica, a laparotomia exploradora é a conduta de escolha. Isso indica sangramento ativo intra-abdominal que requer controle cirúrgico imediato para salvar a vida do paciente.
O trauma abdominal é uma causa significativa de morbimortalidade, especialmente em pacientes jovens. Ferimentos por arma branca (FAB) na região anterior do abdome são considerados traumas penetrantes e têm alto risco de lesão de órgãos intra-abdominais. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a estabilização do paciente e a identificação de lesões que ameaçam a vida. A instabilidade hemodinâmica, caracterizada por hipotensão e taquicardia, que não responde à ressuscitação volêmica inicial com cristaloides e hemoderivados, é um sinal de choque hipovolêmico grave, geralmente devido a sangramento ativo. Nesses casos, a fonte do sangramento é frequentemente intra-abdominal. A fisiopatologia envolve a perda maciça de volume sanguíneo, comprometendo a perfusão de órgãos vitais. A conduta mais adequada e salvadora em um paciente com trauma abdominal penetrante e instabilidade hemodinâmica refratária é a laparotomia exploradora imediata. Este procedimento permite a identificação e o controle direto da fonte de sangramento, reparo de lesões de órgãos e avaliação completa da cavidade abdominal. Exames como o Lavado Peritoneal Diagnóstico (LPD) ou a Tomografia Computadorizada (TC) são contraindicados em pacientes instáveis, pois atrasam a intervenção cirúrgica necessária.
Instabilidade hemodinâmica refratária, evisceração, peritonite, pneumoperitônio, sangramento gastrointestinal ativo e lesão diafragmática suspeita são indicações absolutas.
A tomografia requer um paciente estável para ser transportado e permanecer imóvel. Em um paciente instável, o tempo gasto na TC pode ser fatal, atrasando a cirurgia salvadora.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) pode identificar líquido livre na cavidade abdominal, sugerindo sangramento. Em um paciente instável com FAST positivo, a laparotomia é indicada, mas um FAST negativo não exclui lesão e não atrasa a cirurgia se a instabilidade persistir.
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