SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um rapaz de dezoito anos de idade envolveu-se em uma briga, sendo agredido com uma facada no abdome. Há um orifício no hipocôndrio direito de cerca de 2 cm. O paciente apresenta-se com frequência cardíaca de 72 bpm, pulso amplo e cheio, corado e com tempo de enchimento capilar menor que 2 segundos. No exame físico do abdome, não há sinais de peritonite e há dúvida com relação à penetração na cavidade. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para o paciente.
Ferimento abdominal por arma branca sem sinais de instabilidade ou peritonite → exploração local da ferida para avaliar penetração.
Em pacientes com ferimento abdominal por arma branca hemodinamicamente estáveis e sem sinais claros de peritonite, a exploração local da ferida sob anestesia é a conduta inicial para determinar se houve penetração na cavidade peritoneal.
O trauma abdominal penetrante, como o ferimento por arma branca, é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e precisa para determinar a necessidade de intervenção. A abordagem inicial depende fundamentalmente da estabilidade hemodinâmica do paciente e da presença de sinais de peritonite. Pacientes instáveis ou com sinais claros de lesão intra-abdominal (evisceração, peritonite) necessitam de laparotomia exploradora imediata. No caso apresentado, o paciente está hemodinamicamente estável (FC 72 bpm, pulso amplo, TPC < 2s) e não apresenta sinais de peritonite, mas há dúvida sobre a penetração da cavidade abdominal. Nesses casos, a exploração local da ferida é a conduta mais apropriada e menos invasiva. Realizada em campo estéril e sob anestesia local, permite ao cirurgião determinar se o ferimento ultrapassou a fáscia posterior do reto abdominal, indicando penetração na cavidade peritoneal. Se a exploração local confirmar a penetração, outras investigações ou mesmo uma laparoscopia/laparotomia podem ser necessárias. Se não houver penetração, o paciente pode ser observado. A tomografia de abdome, embora útil em pacientes estáveis, não substitui a exploração local para determinar a penetração da fáscia e pode atrasar a conduta em casos de dúvida. A observação isolada seria inadequada devido ao risco de lesão intra-abdominal não detectada.
A laparotomia exploradora imediata é indicada em pacientes com instabilidade hemodinâmica, sinais de peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ou lesão diafragmática suspeita.
A exploração local da ferida, realizada em campo estéril e sob anestesia local, serve para determinar se o ferimento penetrou a fáscia posterior do reto abdominal, indicando penetração na cavidade peritoneal.
Em pacientes estáveis, a tomografia computadorizada pode ser útil para avaliar lesões internas. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) pode detectar líquido livre na cavidade, mas a exploração local é crucial para a penetração.
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