PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Durante o seu plantão, você recebe a seguinte comunicação: homem com 23 anos, vítima de ferimentos por arma de fogo no tórax, abdome e coxa direita. ECG: 15, FC: 100 bpm, PAS: 90 mmHg, FR:30 e Sat: 98%. Ao chegar na sala de trauma, seu paciente está in extremis. Está irresponsivo, com respiração agônica, saturação de oxigênio na casa dos 80%, apesar da ventilação com Ambu e máscara, e seu pulso radial é fraco, com FC de 105 batimentos por minuto. Os socorristas instalaram 2 acessos venosos periféricos de grande calibre e começaram a infundir solução salina. Relatam que o paciente foi baleado 3 vezes à queima-roupa com uma arma de fogo desconhecida. O primeiro ferimento, na porção superior do tórax direito, estava soprando na cena e foi coberto com um curativo oclusivo, preso em três lados. O segundo ferimento está localizado no quadrante inferior esquerdo do abdome e não sangra. O terceiro ferimento está localizado na coxa direita e não está sangrando. Os socorristas informam que o sangramento da coxa pulsava antes da aplicação de um torniquete.Em relação ao ferimento abdominal penetrante deste paciente, qual das seguintes opções está correta?
FAST no trauma → excelente para hemoperitônio, mas ruim para lesão de vísceras ocas e retroperitônio.
O FAST foca na detecção de líquido livre (sangue); lesões de vísceras ocas (intestino) frequentemente não geram líquido livre imediato detectável, limitando o exame.
O manejo do trauma abdominal penetrante exige uma avaliação rápida e sistemática conforme os protocolos do ATLS. Em pacientes 'in extremis' ou instáveis, a prioridade é o controle de danos. O FAST é uma ferramenta valiosa à beira-leito para identificar hemoperitônio maciço, mas o clínico deve estar ciente de suas 'zonas cegas', que incluem o retroperitônio e as lesões de vísceras ocas. A presença de um ferimento por arma de fogo no abdome com sinais de choque ou peritonite é uma indicação clássica de laparotomia. A compreensão da cinemática do trauma e a correlação com os achados físicos são cruciais para decidir entre a observação clínica e a intervenção cirúrgica imediata.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) foi desenhado para identificar líquido livre (geralmente sangue) em quatro janelas específicas: pericárdica, peri-hepática, periesplênica e pélvica. Lesões de vísceras ocas, como intestino delgado ou cólon, podem causar pneumoperitônio ou extravasamento de conteúdo entérico em pequenas quantidades que não são facilmente visualizadas pelo ultrassom, resultando em baixa sensibilidade para esses danos específicos.
Diferente do trauma contuso (onde o baço é o mais afetado), nos ferimentos penetrantes por arma de fogo (FAF), o intestino delgado é o órgão mais frequentemente lesionado, seguido pelo cólon e pelo fígado. A trajetória do projétil e a energia cinética dissipada determinam a extensão dos danos, frequentemente exigindo laparotomia exploradora imediata em pacientes com instabilidade ou sinais de peritonite.
A laparotomia exploradora está indicada em pacientes com ferimentos penetrantes que apresentam instabilidade hemodinâmica, sinais de irritação peritoneal (peritonite), evisceração, ou quando há evidência de violação da fáscia posterior em ferimentos por arma de fogo. Em ferimentos por arma branca, a conduta pode ser mais conservadora (observação e exames seriados) se o paciente estiver estável e sem sinais peritoneais, mas o FAF geralmente demanda intervenção cirúrgica.
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