HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023
Mulher, 20 anos de idade, é trazida ao centro de referência em trauma, vítima de agressão interpessoal com arma branca no lado esquerdo do abdome. Nega uso de bebida alcoólica e perda de consciência. No atendimento inicial, apresenta-se com PA de 80x40mmHg, FC de 130bpm, FR de 26irpm e oximetria de pulso de 94% em ar ambiente. O tórax estava sem alterações. O abdome apresentava ferimento de 3cm, profundo em fossa ilíaca esquerda, com dor à palpação em região perilesional. O toque retal mostrou presença de sangue vermelho-vivo em dedo de luva. Qual é a conduta inicial?
Paciente com trauma abdominal penetrante e instabilidade hemodinâmica → reanimação volêmica agressiva e transfusão maciça precoce.
Diante de um paciente com trauma abdominal penetrante e sinais de choque hipovolêmico (PA 80x40mmHg, FC 130bpm), a prioridade é a estabilização hemodinâmica. Isso inclui suplementação de oxigênio e, crucialmente, o início imediato do protocolo de Transfusão Maciça, pois a perda sanguínea é a causa mais provável da instabilidade.
O manejo do trauma abdominal penetrante é uma emergência médica que exige avaliação rápida e intervenção decisiva. A prioridade máxima, conforme os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), é a identificação e o tratamento do choque. Em um paciente com ferimento por arma branca no abdome e sinais de instabilidade hemodinâmica, como hipotensão e taquicardia, a principal causa a ser presumida é o choque hipovolêmico devido a sangramento interno. A conduta inicial deve focar na reanimação volêmica agressiva. Isso inclui a suplementação de oxigênio para otimizar a oxigenação tecidual e, crucialmente, o início imediato do protocolo de Transfusão Maciça. Este protocolo visa repor rapidamente os componentes sanguíneos perdidos (hemácias, plasma e plaquetas em proporções balanceadas) para corrigir a coagulopatia induzida pelo trauma e pela diluição, que agrava o sangramento. A presença de sangue no toque retal reforça a suspeita de lesão visceral e sangramento significativo. Para residentes, é fundamental entender que, em pacientes hemodinamicamente instáveis com trauma abdominal penetrante, exames de imagem como a tomografia computadorizada (TAC) são contraindicados, pois atrasam a intervenção cirúrgica salvadora. A indicação é de laparotomia exploradora de emergência após estabilização inicial. A agilidade na identificação do choque e na instituição da transfusão maciça pode ser a diferença entre a vida e a morte para esses pacientes.
Sinais de choque hipovolêmico incluem hipotensão (PA < 90 mmHg), taquicardia (> 100 bpm), taquipneia, alteração do nível de consciência, pele fria e pegajosa, e enchimento capilar prolongado. No caso, PA 80x40mmHg e FC 130bpm são claros indicadores.
O protocolo de Transfusão Maciça deve ser iniciado precocemente em pacientes com trauma e instabilidade hemodinâmica persistente, especialmente na presença de sangramento ativo ou suspeita de grande perda sanguínea, como em trauma abdominal penetrante com sinais de choque.
A presença de sangue vermelho-vivo no toque retal em um paciente com trauma abdominal penetrante sugere lesão do trato gastrointestinal inferior (cólon, reto) ou sangramento significativo na pelve, reforçando a necessidade de intervenção cirúrgica e reanimação volêmica.
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