HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Homem, 28 anos de idade, há 40 minutos foi vítima de ferimento por arma branca, na região periumbilical. Conduzido pela equipe de resgate ao pronto-socorro, sendo que, à admissão, apresentava-se com saturação de oxigênio = 95%, em ar ambiente, repouso sobre a maca, pressão arterial = 120 x 80 mmHg, frequência cardíaca = 98 batimentos/minuto. A: Vias aéreas pérvias; B: Sem alterações; C: Abdômen globoso, indolor à palpação, sem sinais de peritonite. Realizada ultrassonografia em emergência - FAST: negativo; D: Pontuação na Escala de Como de Glashgow = 15; E: Presença de ferimento profundo de cerca de 1,5cm na região supraumbilical. Sem outras lesões aparentes. Em relação ao caso, considerando os dados clínicos e a ultrassonografia, a conduta correta deve ser:
FAB abdominal com violação da fáscia → exploração cirúrgica, mesmo com FAST negativo e estabilidade inicial.
Ferimentos por arma branca na região periumbilical são considerados de alto risco para penetração na cavidade abdominal. A profundidade do ferimento e a localização (acima do umbigo) sugerem violação da fáscia, indicando exploração cirúrgica, independentemente da estabilidade hemodinâmica inicial ou do FAST negativo.
O trauma abdominal penetrante, como o ferimento por arma branca (FAB), é uma emergência cirúrgica que exige avaliação rápida e decisão terapêutica precisa. A região periumbilical é considerada de alto risco, pois ferimentos nessa área frequentemente violam a fáscia e penetram na cavidade peritoneal, podendo causar lesões em órgãos vitais como intestino delgado, cólon, estômago e grandes vasos. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), focando na estabilização do paciente. Mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais clássicos de peritonite, a suspeita de penetração peritoneal é uma indicação para exploração. O exame físico detalhado do ferimento, buscando sinais de violação da fáscia, é crucial. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta útil para detectar hemoperitônio, mas um resultado negativo não exclui lesões de vísceras ocas ou sangramentos contidos, e não deve ser o único critério para descartar a necessidade de cirurgia. A conduta definitiva para ferimentos abdominais penetrantes com suspeita ou confirmação de penetração peritoneal é a exploração cirúrgica. Esta pode ser realizada por laparotomia exploradora convencional ou, em casos selecionados de pacientes estáveis, por laparoscopia. A laparoscopia oferece a vantagem de ser menos invasiva, permitindo a visualização direta da cavidade e a identificação de lesões que podem ser reparadas ou que justifiquem uma conversão para laparotomia. O objetivo é identificar e reparar todas as lesões, controlar o sangramento e prevenir complicações como a sepse.
A exploração cirúrgica é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica, sinais de peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ou urinário, e ferimentos que comprovadamente penetram a cavidade peritoneal (violação da fáscia).
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é útil para detectar líquido livre (sangue) na cavidade abdominal. Um FAST negativo, no entanto, não exclui lesões de vísceras ocas ou sangramentos menores, e não deve atrasar a exploração cirúrgica se houver outras indicações.
A abordagem pode ser por laparotomia exploradora convencional ou por laparoscopia. A laparoscopia é uma opção cada vez mais utilizada em pacientes estáveis, permitindo a avaliação da penetração peritoneal e, se necessário, a reparação de lesões.
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