UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2020
Paciente de 55 anos, sexo masculino, vítima de ferimento de arma branca na região abdominal há poucos minutos, é levado ao pronto socorro. Encontra-se alcoolizado, agitado, hipotenso e taquicárdico, apresentando na região do mesogástrio ferimento de 1 cm, sem sangramento ativo exteriorizado. No exame físico, apresenta abdômen pouco distendido, flácido, doloroso andar superior de difícil avaliação devido à agitação do paciente. Nesse caso, a conduta correta seria ressuscitação volêmica e:
Trauma abdominal penetrante + instabilidade hemodinâmica = Laparotomia Exploradora imediata após ressuscitação volêmica.
Em pacientes vítimas de trauma abdominal penetrante com sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) e abdômen doloroso, a conduta prioritária, após a ressuscitação volêmica inicial, é a laparotomia exploradora. Isso se deve à alta probabilidade de lesão de órgãos internos com sangramento ativo ou contaminação, que requer intervenção cirúrgica imediata para controle da hemorragia e reparo das lesões.
O trauma abdominal é uma causa significativa de morbimortalidade, e o manejo adequado é crucial, especialmente em casos de ferimentos penetrantes. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização das vias aéreas, respiração e circulação. A presença de instabilidade hemodinâmica em um paciente com trauma abdominal penetrante é um sinal de alarme que indica uma lesão grave, geralmente com sangramento ativo ou perfuração de vísceras, exigindo intervenção rápida. No cenário de um paciente com ferimento por arma branca no abdômen, que se apresenta hipotenso e taquicárdico, a prioridade é a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides. No entanto, se a instabilidade persiste ou se há sinais claros de peritonite ou evisceração, a laparotomia exploradora é a conduta definitiva e imediata. A agitação do paciente, muitas vezes associada ao uso de álcool ou drogas, pode dificultar o exame físico, mas não deve atrasar a decisão de intervir cirurgicamente quando há instabilidade hemodinâmica. Exames complementares como a tomografia computadorizada ou a ultrassonografia (FAST) são valiosos para pacientes hemodinamicamente estáveis, mas são contraindicados em pacientes instáveis, pois atrasam o tratamento definitivo. A laparotomia exploradora permite a identificação e o controle direto das lesões, sendo a intervenção que salva vidas nesses casos. Residentes devem dominar a avaliação rápida e a tomada de decisão em trauma abdominal, priorizando a estabilização e a cirurgia quando indicada, para otimizar o prognóstico do paciente.
Os sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (PAS < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), taquipneia, alteração do nível de consciência, pele fria e pegajosa, e tempo de enchimento capilar prolongado. No contexto de trauma, esses sinais sugerem choque, frequentemente hipovolêmico devido a sangramento.
A laparotomia exploradora é indicada de imediato em trauma abdominal penetrante com instabilidade hemodinâmica, peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ativo, ou em trauma contuso com FAST positivo e instabilidade. Em casos de trauma penetrante, a simples penetração da cavidade peritoneal já pode ser uma indicação em alguns contextos.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é útil para detectar líquido livre na cavidade abdominal em pacientes estáveis ou instáveis, mas não exclui lesões. A TC é o exame de escolha para pacientes hemodinamicamente estáveis com trauma abdominal, pois oferece detalhes anatômicos e pode identificar lesões específicas, mas é contraindicada em pacientes instáveis que necessitam de cirurgia imediata.
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