Trauma Abdominal Penetrante: Manejo da Instabilidade Hemodinâmica

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 19 anos, sem comorbidades, vítima de ferimento por arma branca na parede anterior do abdome, na região epigástrica, com aproximadamente 3 cm, com discreto sangramento ativo. Após receber 1000ml de ringer lactato, apresenta pressão arterial média 45 mmHg, FC 130 bpm, FR 33 irpm, confuso. Ao exame físico, paciente está confuso, agitado o abdome é flácido, doloroso à palpação e os ruídos hidroaéreos são audíveis. Não há sinais de peritonite. A conduta mais adequada a ser realizada no caso descrito é:

Alternativas

  1. A) Laparotomia exploradora.
  2. B) Tratamento conservador - não operatório.
  3. C) Lavado Peritoneal Diagnóstico.
  4. D) Tomografia de abdome superior e pelve.

Pérola Clínica

Trauma abdominal penetrante + instabilidade hemodinâmica = laparotomia exploradora imediata.

Resumo-Chave

Paciente vítima de ferimento por arma branca no abdome, apresentando sinais de choque hipovolêmico (PAM 45 mmHg, FC 130 bpm, confuso) e sem resposta à ressuscitação inicial com fluidos, tem indicação absoluta de laparotomia exploradora. A instabilidade hemodinâmica em trauma abdominal penetrante é um critério mandatório para cirurgia.

Contexto Educacional

O trauma abdominal é uma emergência médica frequente, com alta morbimortalidade, especialmente quando penetrante. Ferimentos por arma branca (FAB) na parede abdominal podem causar lesões em órgãos intra-abdominais, resultando em sangramento significativo e choque. A avaliação inicial e a tomada de decisão rápida são cruciais para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia do caso descrito aponta para um choque hipovolêmico grave devido a sangramento interno. O paciente apresenta taquicardia (FC 130 bpm), hipotensão (PAM 45 mmHg) e alteração do nível de consciência (confuso), que são sinais clássicos de choque descompensado. A ausência de resposta à infusão inicial de 1000ml de Ringer Lactato reforça a necessidade de intervenção imediata. Embora não haja sinais de peritonite explícitos, a dor à palpação e a instabilidade hemodinâmica são indicativos de lesão intra-abdominal grave. A conduta mais adequada para um paciente com trauma abdominal penetrante e instabilidade hemodinâmica refratária é a laparotomia exploradora. Exames como Tomografia Computadorizada ou Lavado Peritoneal Diagnóstico (LPD) consomem tempo precioso e são contraindicados em pacientes instáveis. O tratamento conservador não operatório é uma opção apenas para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e com exames complementares que descartem lesões que exijam cirurgia imediata. O residente deve priorizar a estabilização hemodinâmica e a intervenção cirúrgica precoce em casos de instabilidade persistente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente traumatizado?

Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (PAM < 60 mmHg ou PAS < 90 mmHg), taquicardia (> 120 bpm), alteração do nível de consciência, pele fria e pegajosa, e má perfusão periférica, indicando choque.

Quando a laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal?

A laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal penetrante com instabilidade hemodinâmica, peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ativo, ou sinais de lesão diafragmática ou vascular maior.

Qual o papel do FAST no trauma abdominal penetrante?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) pode identificar líquido livre na cavidade abdominal, sugerindo sangramento. Em pacientes instáveis, um FAST positivo reforça a indicação de laparotomia. Em pacientes estáveis, um FAST negativo pode permitir uma avaliação mais detalhada.

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