Trauma Abdominal: Quando Realizar Exploração Digital?

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 30 anos de idade, é trazido ao Pronto-Socorro, vítima de ferimento, com máquina industrial com corte no abdome há 30 minutos. Dá entrada no hospital, referindo dor abdominal. Ao exame,A: Via aérea pérvia, colocado colar cervical, SatO2: 98%;B: murmúrios vesiculares bem distribuídos sem ruídos adventícios, FR: 20ipm;C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 98bpm, PA: 118x74mmHg, sem sinais de sangramentos externos, pelve estável e toque retal sem alterações;D: escala de coma de Glasgow =15, pupilas isocóricas e fotorreagentes;E: abdome com ferimento de cerca de 15cm na região de mesogástrio com presença de alças de intestino delgado extrusas.Indique a conduta mais adequada, caso este paciente não apresentasse extrusão das alças intestinais durante a avaliação inicial:

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia computadorizada de abdome total com contraste.
  2. B) Realizar exploração digital do ferimento sob anestesia local.
  3. C) Realizar laparotomia exploradora.
  4. D) Realizar sutura da parede abdominal por camadas

Pérola Clínica

Ferimento abdominal penetrante em paciente estável sem evisceração → Exploração digital sob anestesia local.

Resumo-Chave

Em ferimentos abdominais por arma branca ou objetos similares em pacientes hemodinamicamente estáveis e sem sinais de peritonismo ou evisceração, a exploração digital é o passo inicial para avaliar a integridade da fáscia.

Contexto Educacional

O manejo do trauma abdominal penetrante evoluiu para uma abordagem mais conservadora em pacientes estáveis. A exploração digital é uma ferramenta diagnóstica crucial à beira-leito para determinar se houve penetração na cavidade peritoneal. Se a fáscia estiver violada, o risco de lesão visceral aumenta, exigindo vigilância rigorosa. A presença de evisceração, por outro lado, é uma indicação absoluta de laparotomia, independentemente da estabilidade hemodinâmica, devido ao alto risco de lesões entéricas e contaminação peritoneal.

Perguntas Frequentes

Quando a exploração digital é contraindicada?

A exploração digital não deve ser realizada se o paciente apresentar instabilidade hemodinâmica, sinais de irritação peritoneal (peritonite) ou evisceração evidente. Nesses casos, a indicação de laparotomia exploradora imediata é mandatória, pois a violação da cavidade e a lesão de órgãos internos são altamente prováveis ou já confirmadas pelo exame físico inicial.

O que fazer se a fáscia estiver íntegra na exploração?

Se durante a exploração digital sob anestesia local for constatado que a fáscia aponeurótica está íntegra, o ferimento é considerado não penetrante. A conduta consiste em limpeza exaustiva, sutura da pele e alta hospitalar com orientações de sinais de alerta, sem necessidade de exames de imagem adicionais ou internação para observação.

Qual a conduta se a fáscia estiver violada?

Caso a exploração digital confirme a violação da fáscia (ferimento penetrante), o paciente deve ser internado para observação clínica seriada por 24 horas, com exames físicos repetidos e hemograma. Em alguns protocolos, a TC de abdome ou lavagem peritoneal diagnóstica podem ser considerados, mas a observação clínica é o padrão-ouro para detectar lesões viscerais ocultas em pacientes estáveis.

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