Manejo do Ferimento por Arma Branca em Parede Abdominal

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de 23 anos de idade, vítima de um assalto ao sair da faculdade, sofreu ferimento por arma branca em parede abdominal anterior há 30 minutos. Foi levado pelos colegas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Está assintomático, e como o local era pouco iluminado, não viu o tamanho da faca. Ao exame físico, há um ferimento inciso horizontal (2,5 centímetros) na região hipogástrica a cerca de 3 cm à direita da linha alba, apresentando mínimo sangramento, dor abdominal apenas no local do ferimento, sem sinais de irritação peritoneal, pressão arterial = 120 x 80 mmHg, frequência cardíaca = 92 bpm, mucosas normocoradas e enchimento capilar ungueal normal. Qual seria a conduta adequada a ser tomada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Suturar o ferimento e encaminhar o paciente ao serviço de cirurgia para realização de tomografia computadorizada de abdome.
  2. B) Realizar radiografias simples e ortostática de abdome e tórax, e manter o paciente em observação, se não houver achados positivos.
  3. C) Realizar a exploração local do ferimento da parede abdominal e definir conduta de acordo com a presença ou não de violação peritoneal.
  4. D) Não suturar o ferimento e encaminhar o paciente imediatamente ao serviço de cirurgia para realização de laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

FAB estável + sem peritonismo → Exploração local para avaliar violação da aponeurose.

Resumo-Chave

Em pacientes com ferimento por arma branca (FAB) em parede abdominal anterior que estão hemodinamicamente estáveis e sem sinais de irritação peritoneal, a exploração local da ferida sob anestesia é mandatória para verificar a integridade da fáscia.

Contexto Educacional

O manejo do trauma abdominal penetrante evoluiu de uma abordagem obrigatoriamente cirúrgica para um manejo seletivo. Em pacientes estáveis com ferimentos por arma branca (FAB), a exploração local da ferida é o divisor de águas: se a aponeurose estiver íntegra, o trauma é considerado superficial e o paciente pode ser liberado. Caso haja penetração peritoneal, a observação clínica seriada por 24 horas tem se mostrado segura e eficaz para identificar lesões que necessitam de intervenção, reduzindo o número de laparotomias não terapêuticas. É fundamental diferenciar o FAB do ferimento por arma de fogo (FAF), onde a conduta costuma ser mais agressiva devido à maior energia cinética e maior probabilidade de lesões múltiplas.

Perguntas Frequentes

Quando realizar exploração local no trauma abdominal?

A exploração local está indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com ferimentos por arma branca na parede abdominal anterior (entre as linhas axilares anteriores, do rebordo costal à sínfise púbica). O objetivo é verificar se houve violação da fáscia aponeurótica posterior. Se a fáscia estiver íntegra, o paciente pode receber alta após sutura e orientações. Se houver violação, o paciente deve ser internado para observação clínica seriada, exames laboratoriais ou outros métodos diagnósticos, dependendo do protocolo institucional.

Quais são as indicações de laparotomia imediata no FAB?

As indicações absolutas de laparotomia imediata em ferimentos por arma branca incluem instabilidade hemodinâmica (choque), sinais claros de irritação peritoneal (peritonite), evisceração de conteúdo abdominal ou sangramento ativo importante pelo ferimento. Nesses casos, a exploração local ou exames de imagem não devem retardar o tratamento cirúrgico definitivo, pois há alta probabilidade de lesão de órgãos internos que necessitam de reparo urgente.

O que fazer se a exploração local for positiva para violação peritoneal?

Se a exploração local demonstrar que a fáscia foi violada, a conduta clássica envolve a admissão hospitalar para observação clínica rigorosa por 24 a 48 horas, com exames físicos seriados. Alternativamente, pode-se realizar lavagem peritoneal diagnóstica (LPD), laparoscopia diagnóstica ou tomografia computadorizada (embora a TC tenha sensibilidade limitada para lesões de vísceras ocas e diafragma). A tendência moderna é o manejo conservador seletivo em pacientes assintomáticos.

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