Ferimento por Arma Branca Abdominal: Conduta em Paciente Estável

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 45 anos de idade, vítima de ferimento por arma branca (faca de cozinha) em região abdominal, durante tentativa de assalto. Trazido por familiares ao pronto socorro, com tempo de transporte de 20 minutos. Admissão: paciente contactante, fonação preservada, ausculta torácica sem alterações, frequência respiratória: 20 incursões/minuto, saturação periférica de 02, em ar ambiente: 97%, frequência cardíaca: 88 batimentos/minuto, pressão arterial: 11 O x 90 mmHg. Abdome plano com ferida corto contusa, de 3cm em região de flanco direito, com pequeno sangramento local. Na tentativa de exploração digital, não foi possível definir se houve penetração na cavidade. Qual deve ser a conduta inicial neste caso?

Alternativas

  1. A) Indicar laparotomia exploradora de urgência.
  2. B) Internar; hemoglobina e hematócrito de 6/6 horas + antibioticoterapia.
  3. C) Indicar a realização de videolaparoscopia diagnóstica.
  4. D) Solicitar tomografia de abdome e pelve, com contraste endovenoso.

Pérola Clínica

FAB abdominal com paciente estável e penetração incerta → TC abdome e pelve c/ contraste.

Resumo-Chave

Em ferimentos por arma branca no abdome, se o paciente estiver hemodinamicamente estável e a penetração da cavidade peritoneal for incerta, a tomografia computadorizada com contraste é a melhor conduta inicial para avaliar a extensão da lesão e a necessidade de intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

O trauma abdominal penetrante, como o ferimento por arma branca (FAB), é uma emergência médica que exige avaliação rápida e precisa. A conduta inicial é guiada pela estabilidade hemodinâmica do paciente e pela presença de sinais de peritonite ou evisceração. A decisão entre manejo cirúrgico imediato e investigação diagnóstica adicional é crucial para o prognóstico. No caso de um paciente hemodinamicamente estável, sem sinais claros de peritonite ou evisceração, e com incerteza quanto à penetração da cavidade peritoneal, a exploração digital da ferida pode não ser conclusiva. Nesses cenários, a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste endovenoso é o exame de escolha. Ela permite uma avaliação detalhada das estruturas intra-abdominais, identificando lesões de órgãos, líquido livre e a trajetória do ferimento. A tomografia auxilia na decisão entre laparotomia exploradora (se houver lesão significativa) ou manejo não operatório (se não houver penetração ou lesões menores que possam ser observadas). Evitar uma laparotomia desnecessária em um paciente estável reduz morbidade. Portanto, a conduta inicial mais adequada é a investigação por imagem para guiar o tratamento definitivo, otimizando o cuidado ao paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em trauma abdominal?

Sinais de instabilidade hemodinâmica incluem hipotensão (PA < 90 mmHg), taquicardia (>120 bpm), extremidades frias, tempo de enchimento capilar prolongado e alteração do nível de consciência, indicando choque.

Quando a laparotomia exploradora é indicada de urgência em trauma abdominal penetrante?

A laparotomia exploradora de urgência é indicada em trauma abdominal penetrante na presença de instabilidade hemodinâmica, peritonite, evisceração, sangramento gastrointestinal ativo, pneumoperitônio ou lesão diafragmática suspeita.

Qual o papel da tomografia em ferimentos abdominais penetrantes?

A tomografia computadorizada com contraste é crucial em pacientes estáveis para determinar a profundidade da penetração, identificar lesões de órgãos sólidos ou ocos, avaliar a presença de líquido livre e guiar a decisão sobre manejo cirúrgico ou não operatório.

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