Trauma Abdominal Penetrante: Hipotensão Permissiva e Manejo

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

O correto tratamento do trauma abdominal penetrante é essencial para aumentar a chance de sobrevivência do paciente. Segundo o Consenso do Colégio Brasileiro de Cirurgia,

Alternativas

  1. A) o lavado peritoneal deve ser o método preferencial para o diagnóstico de penetração na cavidade peritoneal.
  2. B) está recomendado o uso de antibióticos para pacientes em tratamento conservador.
  3. C) está recomendado o uso de hipotensão permissiva.
  4. D) o exame físico seriado isoladamente não é confiável para a indicação de laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

Trauma abdominal penetrante com hemorragia ativa → hipotensão permissiva para evitar sangramento excessivo pré-cirurgia.

Resumo-Chave

A hipotensão permissiva é uma estratégia de ressuscitação volêmica em pacientes com trauma penetrante e hemorragia ativa, visando manter uma pressão arterial sistólica mais baixa (80-90 mmHg) até o controle cirúrgico do sangramento. Isso ajuda a evitar a disrupção do coágulo e o aumento da hemorragia.

Contexto Educacional

O manejo do trauma abdominal penetrante é um desafio complexo, exigindo decisões rápidas e precisas para otimizar a sobrevida do paciente. Consensos e diretrizes, como os do Colégio Brasileiro de Cirurgia, orientam a conduta. Uma das estratégias mais importantes e que tem ganhado destaque é a hipotensão permissiva, ou ressuscitação com controle de danos, especialmente em pacientes com hemorragia ativa e instabilidade hemodinâmica. A hipotensão permissiva consiste em manter uma pressão arterial sistólica mais baixa, geralmente entre 80 e 90 mmHg, até que o controle cirúrgico definitivo da hemorragia seja alcançado. O racional por trás dessa abordagem é evitar a infusão excessiva de fluidos, que pode levar à diluição dos fatores de coagulação, à hipotermia e, crucialmente, ao aumento da pressão hidrostática, o que pode desalojar coágulos formados e exacerbar o sangramento. Essa estratégia é particularmente relevante no trauma penetrante, onde a fonte de sangramento é frequentemente uma grande artéria ou veia. É fundamental ressaltar que a hipotensão permissiva não é universalmente aplicável. Pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) associado, por exemplo, necessitam de manutenção de uma pressão de perfusão cerebral adequada e, portanto, não são candidatos a essa estratégia. A avaliação contínua do estado do paciente e a rápida progressão para o controle cirúrgico são pilares do sucesso no manejo do trauma abdominal penetrante.

Perguntas Frequentes

O que é hipotensão permissiva no trauma?

Hipotensão permissiva é uma estratégia de ressuscitação volêmica que visa manter uma pressão arterial sistólica mais baixa (geralmente 80-90 mmHg) em pacientes com trauma e hemorragia ativa, antes do controle cirúrgico definitivo da fonte de sangramento.

Por que a hipotensão permissiva é utilizada em trauma abdominal penetrante?

Ela é utilizada para evitar o aumento da pressão hidrostática que poderia desalojar coágulos formados e exacerbar o sangramento, além de reduzir a diluição dos fatores de coagulação, melhorando o prognóstico até a intervenção cirúrgica.

Em quais pacientes a hipotensão permissiva é contraindicada?

A hipotensão permissiva é geralmente contraindicada em pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) associado, lesão medular, doença cardíaca isquêmica preexistente, ou em gestantes, devido ao risco de hipoperfusão cerebral ou de outros órgãos vitais.

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