USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem de 36 anos de idade, vítima de atropelamento por caminhão, dá entrada na sala de emergência trazido por suporte avançado com tempo de transporte de 30 minutos. Na avaliação inicial:A. Vias aéreas pérvias, com colar cervicalB. Murmúrios vesiculares presentesC. Abdome flácido, pelve instável, FC 130, PA 90x60 mmhg,FAST positivoD. ECG 10, pupilas isofotorreagentesE. Marca do pneu no andar inferior do abdome a) Cite três medidas fundamentais do atendimento inicial. b) Cite o tratamento definitivo.
Pelve instável + Hipotensão + FAST+ → Estabilizar pelve + Laparotomia imediata.
No trauma de alta energia com instabilidade hemodinâmica, a estabilização mecânica da pelve e a reposição volêmica com hemoderivados são prioridades antes do tratamento cirúrgico definitivo.
O manejo do trauma pélvico instável é um dos maiores desafios na emergência. A pelve pode acomodar grandes volumes de sangue (choque oculto), e a instabilidade mecânica do anel pélvico rompe o plexo venoso pré-sacral e superfícies ósseas, perpetuando o sangramento. A marca do pneu e a instabilidade clínica sugerem um mecanismo de esmagamento de alta energia. Seguindo os preceitos do ATLS, a abordagem deve ser simultânea: estabilização da pelve para reduzir o espaço morto e promover o tamponamento, associada à ressuscitação hemostática. O FAST positivo em paciente instável elimina a necessidade de TC e direciona o paciente diretamente para o centro cirúrgico. O tratamento definitivo combina a cirurgia visceral (laparotomia) com a estabilização ortopédica definitiva.
As medidas fundamentais incluem: 1) Estabilização mecânica da pelve (uso de cinta pélvica ou lençol ao nível dos trocanteres maiores); 2) Reposição volêmica agressiva com protocolo de transfusão maciça (proporção 1:1:1 de concentrado de hemácias, plasma e plaquetas); 3) Administração de ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas pós-trauma.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) positivo indica a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal. Em um paciente hipotenso e instável, isso é uma indicação direta de laparotomia exploradora imediata, pois identifica o abdome como uma fonte provável de choque hemorrágico.
O tratamento definitivo envolve a Laparotomia Exploradora para controle das lesões intra-abdominais (identificadas pelo FAST) e a Fixação Externa ou Interna da pelve pelo serviço de ortopedia, visando reduzir o volume pélvico e cessar o sangramento venoso e ósseo.
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