FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021
Criança de sete anos encaminhada à emergência após queda de bicicleta. Segundo a mãe, a queda foi há aproximadamente 30 minutos e a criança apenas queixou-se de dor abdominal. Não houve perda de consciência. Após a avaliação inicial, foi realizada uma tomografia computadorizada abdominal que evidenciou líquido livre na cavidade peritoneal, sem lesão aparente de vísceras abdominais. A melhor conduta neste caso seria:
Trauma abdominal pediátrico + líquido livre na TC sem lesão visceral aparente = laparotomia exploradora para identificar sangramento.
Em trauma abdominal pediátrico, a presença de líquido livre na cavidade peritoneal na TC, mesmo sem lesão visceral aparente, é um forte indicativo de hemoperitônio. Nesses casos, a laparotomia exploradora é a conduta mais segura para identificar a fonte do sangramento e controlar a hemorragia, prevenindo a deterioração clínica.
O trauma abdominal em crianças é uma causa significativa de morbimortalidade e exige uma abordagem diagnóstica e terapêutica rápida e precisa. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com foco na estabilização hemodinâmica. Em crianças, a parede abdominal é mais fina e os órgãos mais próximos, tornando-os mais suscetíveis a lesões por trauma contuso, como quedas de bicicleta. A tomografia computadorizada (TC) abdominal com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar o trauma abdominal em pacientes pediátricos hemodinamicamente estáveis. Ela é altamente eficaz na identificação de lesões de órgãos sólidos como fígado, baço e rins. No entanto, um achado que frequentemente gera dúvidas é a presença de líquido livre na cavidade peritoneal sem uma lesão visceral aparente identificável. Nesse cenário, o líquido livre é um forte indicativo de hemoperitônio, ou seja, sangramento intra-abdominal. Mesmo que a TC não revele uma lesão específica, o sangramento pode ser proveniente de pequenas lacerações em órgãos sólidos, lesões mesentéricas ou de vasos que não são facilmente visualizadas. A conduta mais segura e apropriada, especialmente se o volume de líquido for significativo ou se houver qualquer sinal de instabilidade, é a laparotomia exploradora. Esta permite a identificação direta da fonte do sangramento, a hemostasia e o reparo de quaisquer lesões ocultas, prevenindo a deterioração clínica e garantindo a segurança do paciente pediátrico.
O líquido livre na cavidade peritoneal após trauma abdominal em crianças é um achado crítico, pois frequentemente indica hemoperitônio, mesmo que a fonte do sangramento não seja visível na imagem. Pode ser um sinal de lesão de víscera sólida ou de vasos mesentéricos, exigindo investigação e intervenção.
A laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal pediátrico em casos de instabilidade hemodinâmica persistente, peritonite, evisceração, lesão de víscera oca suspeita ou confirmada, e presença significativa de líquido livre na cavidade peritoneal sem identificação da fonte de sangramento em pacientes estáveis.
A TC é excelente para identificar lesões de órgãos sólidos, mas pode ter limitações na detecção de lesões de vísceras ocas, lesões mesentéricas e sangramentos ativos de pequenos vasos. Em alguns casos, o líquido livre pode ser o único achado, necessitando de correlação clínica e, por vezes, exploração cirúrgica.
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