Trauma Abdominal Pediátrico: Suspeita de Lesão Intestinal

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Um adolescente de 12 anos estava andando de bicicleta em alta velocidade, numa ladeira, perdeu o controle e bateu contra um poste. Estava de capacete. Perdeu a consciência no momento da queda. Ao chegar ao hospital, tinha Glasgow 15 e estava hemodinamicamente estável. Tinha equimose extensa e muito dolorosa em epigastro, onde sofreu o impacto com o guidão da bicicleta. Mantendo-se estável, foi encaminhado para a tomografia, onde foi identificada pequena quantidade de líquido livre intraabdominal. Não foi vista lesão hepática nem esplênica. Lesão esperada e melhor conduta, entre as condutas apresentadas:

Alternativas

  1. A) Lesão de delgado e/ou duodeno – laparotomia exploradora.
  2. B) Lesão de vesícula biliar com coleperitônio – laparoscopia diagnóstica/terapêutica.
  3. C) Lesão vascular – arteriografia.
  4. D) Perfuração de bexiga extraperitoneal – laparotomia exploradora.
  5. E) Lesão pancreática – lavagem peritoneal diagnóstica.

Pérola Clínica

Trauma abdominal fechado + impacto epigástrico + líquido livre sem lesão parenquimatosa → suspeitar lesão intestinal (duodeno/delgado). Conduta: Laparotomia.

Resumo-Chave

Em trauma abdominal fechado pediátrico, especialmente com impacto direto no epigastro (ex: guidão de bicicleta), a presença de líquido livre intra-abdominal sem lesão de órgãos sólidos (fígado, baço) deve levantar forte suspeita de lesão de víscera oca, como duodeno ou intestino delgado. Nesses casos, a laparotomia exploradora é a conduta de escolha para diagnóstico e reparo.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado em crianças é uma causa significativa de morbidade e mortalidade. A avaliação inicial deve seguir o protocolo ATLS, focando na estabilização hemodinâmica. Em crianças, a parede abdominal é mais fina e os órgãos são mais próximos, tornando-os mais vulneráveis a lesões. O mecanismo de trauma, como o impacto de guidão de bicicleta na região epigástrica, é crucial para direcionar a suspeita clínica. A presença de equimose extensa e dor intensa em epigastro, associada a líquido livre intra-abdominal na tomografia computadorizada (TC) sem lesão aparente de órgãos sólidos (fígado, baço, rins), é altamente sugestiva de lesão de víscera oca, como duodeno ou intestino delgado. Essas lesões podem ser difíceis de visualizar na TC inicial e podem evoluir para perfuração e peritonite. A estabilidade hemodinâmica inicial não exclui lesões graves que necessitam de intervenção. A conduta nesses casos é a laparotomia exploradora. A laparotomia permite a inspeção direta de todo o trato gastrointestinal, identificação e reparo da lesão. O atraso no diagnóstico e tratamento de lesões de vísceras ocas pode levar a complicações graves como sepse e óbito. A lavagem peritoneal diagnóstica tem menor sensibilidade para lesões de vísceras ocas e é menos utilizada atualmente em pacientes estáveis com TC disponível.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão de víscera oca em trauma abdominal fechado?

Sinais incluem dor abdominal desproporcional à lesão externa, defesa abdominal, peritonite, e a presença de líquido livre na TC sem lesão de órgãos sólidos, especialmente após um mecanismo de trauma de alta energia.

Por que o trauma de guidão é um mecanismo de lesão intestinal comum em crianças?

O guidão causa um impacto direto e concentrado na região epigástrica, comprimindo o intestino delgado e o duodeno contra a coluna vertebral, resultando em lesões de esmagamento, avulsão ou perfuração, que podem ser inicialmente ocultas.

Quando a laparotomia exploradora é indicada em trauma abdominal fechado pediátrico?

É indicada em instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação, peritonite, evisceração, lesão de víscera oca confirmada ou fortemente suspeita, e lesões vasculares maiores que necessitam de reparo cirúrgico imediato.

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