SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Um adolescente de 12 anos estava andando de bicicleta em alta velocidade, numa ladeira, perdeu o controle e bateu contra um poste. Estava de capacete. Perdeu a consciência no momento da queda. Ao chegar ao hospital, tinha Glasgow 15 e estava hemodinamicamente estável. Tinha equimose extensa e muito dolorosa em epigastro, onde sofreu o impacto com o guidão da bicicleta. Mantendo-se estável, foi encaminhado para a tomografia, onde foi identificada pequena quantidade de líquido livre intraabdominal. Não foi vista lesão hepática nem esplênica. Lesão esperada e melhor conduta, entre as condutas apresentadas:
Trauma abdominal fechado + impacto epigástrico + líquido livre sem lesão parenquimatosa → suspeitar lesão intestinal (duodeno/delgado). Conduta: Laparotomia.
Em trauma abdominal fechado pediátrico, especialmente com impacto direto no epigastro (ex: guidão de bicicleta), a presença de líquido livre intra-abdominal sem lesão de órgãos sólidos (fígado, baço) deve levantar forte suspeita de lesão de víscera oca, como duodeno ou intestino delgado. Nesses casos, a laparotomia exploradora é a conduta de escolha para diagnóstico e reparo.
O trauma abdominal fechado em crianças é uma causa significativa de morbidade e mortalidade. A avaliação inicial deve seguir o protocolo ATLS, focando na estabilização hemodinâmica. Em crianças, a parede abdominal é mais fina e os órgãos são mais próximos, tornando-os mais vulneráveis a lesões. O mecanismo de trauma, como o impacto de guidão de bicicleta na região epigástrica, é crucial para direcionar a suspeita clínica. A presença de equimose extensa e dor intensa em epigastro, associada a líquido livre intra-abdominal na tomografia computadorizada (TC) sem lesão aparente de órgãos sólidos (fígado, baço, rins), é altamente sugestiva de lesão de víscera oca, como duodeno ou intestino delgado. Essas lesões podem ser difíceis de visualizar na TC inicial e podem evoluir para perfuração e peritonite. A estabilidade hemodinâmica inicial não exclui lesões graves que necessitam de intervenção. A conduta nesses casos é a laparotomia exploradora. A laparotomia permite a inspeção direta de todo o trato gastrointestinal, identificação e reparo da lesão. O atraso no diagnóstico e tratamento de lesões de vísceras ocas pode levar a complicações graves como sepse e óbito. A lavagem peritoneal diagnóstica tem menor sensibilidade para lesões de vísceras ocas e é menos utilizada atualmente em pacientes estáveis com TC disponível.
Sinais incluem dor abdominal desproporcional à lesão externa, defesa abdominal, peritonite, e a presença de líquido livre na TC sem lesão de órgãos sólidos, especialmente após um mecanismo de trauma de alta energia.
O guidão causa um impacto direto e concentrado na região epigástrica, comprimindo o intestino delgado e o duodeno contra a coluna vertebral, resultando em lesões de esmagamento, avulsão ou perfuração, que podem ser inicialmente ocultas.
É indicada em instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação, peritonite, evisceração, lesão de víscera oca confirmada ou fortemente suspeita, e lesões vasculares maiores que necessitam de reparo cirúrgico imediato.
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