SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022
Menino, 4 anos de idade, era transportado no colo do pai, em bicicleta, quando ficaram presos entre 2 carros. O pai sofreu fratura do membro inferior esquerdo e a criança chegou ao Pronto-Socorro consciente, sem fraturas e hematomas, apenas com escoriações em braços. Foi liberada para casa após 6 horas de observação clínica. Após 24 horas, retorna com dor abdominal, prefere permanecer em decúbito lateral com os membros fletidos e vomitou 3 vezes. Ao exame está choroso, corado, hidratado, FR = 24 mrm, FC = 110 bpm, PA 90/60 mmHg. O abdome está distendido e sensível à palpação. A radiografia de tórax mostra derrame pleural laminar à esquerda a radiografia abdominal dilatação de colo transverso. A continuidade da avaliação deve necessariamente incluir a dosagem de
Dor abdominal tardia pós-trauma fechado em criança + derrame pleural + dilatação intestinal → suspeitar lesão pancreática (dosar amilase/lipase).
A dor abdominal tardia e progressiva após um trauma abdominal fechado em crianças, especialmente com achados como derrame pleural e distensão abdominal, deve levantar a suspeita de lesão de vísceras ocas ou pancreática. A dosagem de amilase (e lipase) é essencial para investigar pancreatite traumática, uma complicação comum e grave.
O trauma abdominal fechado em crianças é uma causa significativa de morbimortalidade e requer alta suspeição clínica, pois os sinais e sintomas podem ser inespecíficos ou tardios. A elasticidade da parede abdominal infantil e a proximidade dos órgãos internos à coluna vertebral tornam o pâncreas e o duodeno particularmente vulneráveis a lesões por compressão. A avaliação inicial deve incluir estabilização hemodinâmica e exame físico detalhado, mas a observação prolongada é fundamental devido ao risco de lesões tardias. A apresentação clínica tardia com dor abdominal progressiva, vômitos e sinais de irritação peritoneal, como o decúbito lateral com membros fletidos, sugere uma lesão intra-abdominal que evoluiu. Achados radiográficos como derrame pleural laminar à esquerda e dilatação do colo transverso podem indicar inflamação adjacente ao pâncreas ou lesão de víscera oca. A pancreatite traumática é uma complicação grave que pode se desenvolver após um trauma abdominal fechado, mesmo com impacto aparentemente leve. A continuidade da avaliação deve necessariamente incluir a dosagem de amilase e lipase séricas. A elevação dessas enzimas é um marcador sensível para lesão pancreática, indicando pancreatite. Outros exames complementares, como ultrassonografia abdominal ou tomografia computadorizada, podem ser necessários para identificar a extensão da lesão e guiar o tratamento, que pode variar de manejo conservador a intervenção cirúrgica, dependendo da gravidade.
Sinais de alerta incluem dor abdominal persistente ou progressiva, vômitos, distensão abdominal, sensibilidade à palpação, sinais de peritonite, febre, taquicardia e hipotensão. Achados como derrame pleural ou dilatação intestinal em exames de imagem também são indicativos.
A dosagem de amilase (e lipase) é crucial para detectar lesão pancreática traumática, que pode se manifestar com pancreatite. O pâncreas é vulnerável a traumas de compressão contra a coluna vertebral, e a elevação dessas enzimas indica dano ao órgão.
As lesões mais comuns são as de órgãos sólidos, como baço e fígado. No entanto, lesões de vísceras ocas (intestino delgado, cólon) e pâncreas, embora menos frequentes, são mais insidiosas e podem levar a complicações graves se não diagnosticadas precocemente.
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