FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Adolescente masculino, 13 anos, com história de colisão de bicicleta contra poste há 2 horas do atendimento pelo SAMU, dá entrada no pronto socorro entubado sob se- doanalgesia venosa, SaO2 95%, PA = 90 x 60 mmHg em uso de droga vasoativa em BIC. Apresenta-se, ao exame físico, com hematomas em me- sogástrio e face à esquerda. Após estabilização hemodi- nâmica foi encaminhado para o setor de radiologia para realização de tomografias do crânio, tórax e abdome. Qual a lesão abdominal esperada nesse contexto?
Trauma abdominal fechado + hematoma mesogástrio = Suspeitar lesão duodenal (retroperitoneal).
Em trauma abdominal fechado em crianças, especialmente com impacto direto na região epigástrica/mesogástrica (como em acidentes de bicicleta contra guidão ou poste), a lesão duodenal é uma das mais esperadas. O duodeno é um órgão retroperitoneal que pode ser comprimido contra a coluna vertebral, resultando em hematoma ou ruptura.
O trauma abdominal fechado em crianças é uma causa significativa de morbimortalidade, frequentemente resultante de acidentes de trânsito, quedas ou esportes. A avaliação inicial segue os princípios do ATLS, com foco na estabilização hemodinâmica. A anatomia pediátrica, com menor proteção muscular e órgãos mais próximos, torna as crianças mais suscetíveis a lesões de órgãos internos, mesmo com traumas aparentemente leves. A suspeita clínica é fundamental, especialmente com sinais de impacto direto na região abdominal. A lesão duodenal é uma complicação grave e relativamente comum em traumas abdominais fechados pediátricos, especialmente aqueles envolvendo impacto direto na região epigástrica, como em acidentes de bicicleta com guidão. O duodeno, por ser um órgão retroperitoneal fixo, pode ser esmagado contra a coluna vertebral. As lesões variam de hematomas intraparietais a perfurações completas. Os sintomas podem ser insidiosos, com dor abdominal progressiva, vômitos e distensão, dificultando o diagnóstico precoce. A hipotensão e o uso de drogas vasoativas indicam um quadro grave, exigindo investigação rápida. O diagnóstico de lesão duodenal é feito por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada de abdome com contraste o padrão-ouro em pacientes estáveis. O tratamento depende da extensão da lesão, variando de manejo conservador para hematomas duodenais pequenos e não obstrutivos a intervenção cirúrgica para perfurações ou hematomas obstrutivos. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para prevenir complicações como peritonite, sepse e estenose duodenal.
Sinais de alerta incluem dor abdominal persistente, vômitos biliares, distensão abdominal, hematomas na região epigástrica ou mesogástrica, e sinais de peritonite. A hipotensão pode indicar sangramento significativo ou choque séptico em casos de perfuração tardia.
O duodeno é vulnerável devido à sua localização retroperitoneal e fixação, o que o torna suscetível à compressão contra a coluna vertebral em impactos diretos na região epigástrica. Em crianças, a parede abdominal é menos desenvolvida, aumentando o risco de lesões por compressão.
A tomografia computadorizada (TC) com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar lesões abdominais em pacientes estáveis após trauma. Ela pode identificar hematomas intraparietais, perfurações, extravasamento de contraste e ar retroperitoneal, que são indicativos de lesão duodenal.
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