Trauma Hepático Pediátrico: Manejo Conservador em Crianças

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 4 anos sofreu trauma abdominal fechado por queda de portão com cerca de 40 kg em topografia abdominal. Chega à unidade terciária cerca de 6 horas após o trauma. Refere dor epigástrica e 3 episódios de vômitos. Exame físico: estável hemodinamicamente, Glasgow 15; dor abdominal à palpação profunda de região epigástrica, descompressão brusca negativa. Exames laboratoriais: Hb = 14,1; amilase = 57; TP = 1,33; TTPA = 0,93; pH = 7,46; pCO2 = 26,5; HCO3 = 18,5; BE = 4,1; SatO2 = 99%; fibrinogênio = 300; lactato = 2; Na = 136; k = 4; creat = 0,5 ureia = 35; Tomografia de abdome: trauma hepático grau III, sem sinais de extravasamento de contraste na fase arterial, sem pneumoperitônio ou outras lesões. Melhor conduta no momento:

Alternativas

  1. A) embolização por radiologia intervencionista, seguida por internação em CTI, conseguimento laboratorial e exame físico seriado pela equipe cirúrgica.
  2. B) laparotomia exploradora com objetivo de controle de danos e peritoniostomia, seguida por internação em CTI.
  3. C) internação em CTI com seguimento de exames laboratoriais e exame físico seriado pela equipe cirúrgica.
  4. D) laparotomia exploradora, com objetivo de correção definitiva de lesões, seguida de internação em CTI.

Pérola Clínica

Trauma abdominal fechado pediátrico com estabilidade hemodinâmica → manejo não operatório, mesmo com lesão hepática grau III.

Resumo-Chave

Em crianças com trauma abdominal fechado e lesão hepática (mesmo grau III), a estabilidade hemodinâmica é o fator mais importante para decidir pelo manejo não operatório. A ausência de extravasamento ativo de contraste na TC e a estabilidade clínica permitem a observação em CTI com monitorização.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade em crianças, sendo o fígado um dos órgãos mais frequentemente lesados. A abordagem inicial envolve a avaliação do ABCDE e a estabilização hemodinâmica. Diferentemente dos adultos, o manejo não operatório é a regra em crianças com lesões de órgãos sólidos, desde que estejam hemodinamicamente estáveis. A classificação das lesões hepáticas (grau I a V) auxilia na avaliação da gravidade, mas a conduta é guiada principalmente pela condição clínica do paciente. Mesmo lesões de alto grau (III-V) podem ser manejadas conservadoramente se não houver instabilidade hemodinâmica, sinais de peritonite ou extravasamento ativo de contraste na tomografia. A TC de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar a extensão das lesões. A conduta mais adequada para um paciente pediátrico com trauma hepático grau III, hemodinamicamente estável, sem sinais de extravasamento ativo ou peritonite, é a internação em CTI para monitorização rigorosa, exames laboratoriais seriados e exame físico repetido pela equipe cirúrgica. A embolização ou laparotomia são reservadas para casos de instabilidade ou falha do manejo conservador.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o manejo não operatório em trauma abdominal pediátrico?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de peritonite, ausência de lesão de víscera oca suspeita e ausência de sangramento ativo significativo em exames de imagem. O paciente deve ser monitorizado de perto em ambiente de terapia intensiva.

Qual a importância da estabilidade hemodinâmica no trauma abdominal?

A estabilidade hemodinâmica é o principal fator determinante para o manejo não operatório em trauma abdominal fechado. Pacientes instáveis, mesmo com lesões de baixo grau, podem precisar de intervenção cirúrgica ou radiológica.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma hepático pediátrico?

A laparotomia é indicada em casos de instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, sinais de peritonite, suspeita de lesão de víscera oca ou extravasamento ativo de contraste em exames de imagem que não pode ser controlado por embolização.

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