Manejo do Trauma Esplênico Grau IV: Estabilidade e Embolização

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente feminino, 26 anos, história de acidente automobilístico na rodovia em alta velocidade com colisão frontal. Apresenta marca do cinto de segurança em abdome, queixando-se de dor abdominal. O exame físico demonstra dor à palpação profunda de mesogástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Hemodinamicamente normal, com PA = 110x70mmHg, FC = 96 bpm, FR = 18 ipm e saturação de O2 97% em ar ambiente. A tomografia abdominal evidenciou uma lesão esplênica Grau IV, com escape de contraste em ramo polar inferior do baço, com moderada quantidade de liquido livre em cavidade peritoneal. Diante do achado tomográfico e do exame físico, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Laparotomia exploradora com esplenectomia total.
  2. B) Videolaparoscopia exploradora com esplenectomia total.
  3. C) Arteriografia com embolização de ramo de artéria esplênica.
  4. D) Tratamento expectante com exame físico seriado em Unidade de Terapia Intensiva.

Pérola Clínica

Trauma esplênico estável + blush na TC → Arteriografia com embolização.

Resumo-Chave

A presença de extravasamento de contraste (blush) em paciente estável indica sangramento ativo que pode ser controlado via endovascular, preservando o órgão.

Contexto Educacional

O manejo do trauma esplênico mudou drasticamente nas últimas décadas, priorizando a preservação do órgão para evitar complicações como a sepse fulminante pós-esplenectomia. Atualmente, mais de 80% dos traumas esplênicos fechados são manejados de forma não operatória. A tomografia computadorizada com contraste é o padrão-ouro para graduar a lesão e identificar o 'blush' arterial. Em pacientes estáveis com lesão Grau IV e escape de contraste, a arteriografia com embolização seletiva permite o controle do sangramento com alta eficácia, mantendo a função imunológica do baço. O tratamento expectante puro (apenas observação) em lesões Grau IV com blush apresenta maior risco de ruptura tardia e falha.

Perguntas Frequentes

O que define uma lesão esplênica Grau IV?

Segundo a classificação da AAST, a lesão Grau IV envolve a laceração de vasos segmentares ou hilares, produzindo desvascularização de mais de 25% do baço. Na tomografia, isso se traduz por grandes áreas de hematoma intraparenquimatoso ou lacerações profundas.

Quando o tratamento não operatório (TNO) é indicado no trauma de baço?

O TNO é a conduta de escolha para pacientes hemodinamicamente estáveis, independentemente do grau da lesão na TC, desde que não haja sinais de irritação peritoneal (sugerindo lesão de víscera oca associada). A estabilidade hemodinâmica é o fator determinante mais importante para o sucesso do TNO.

Qual o papel da angioembolização no trauma esplênico?

A angioembolização é um adjunto valioso ao TNO. Ela está indicada em pacientes estáveis que apresentam 'blush' (extravasamento de contraste) na TC, indicando sangramento arterial ativo, ou em lesões de alto grau (IV e V) para aumentar as taxas de salvamento do órgão e reduzir o risco de falha do tratamento conservador.

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