FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2026
Paciente feminino, 26 anos, história de acidente automobilístico na rodovia em alta velocidade com colisão frontal. Apresenta marca do cinto de segurança em abdome, queixando-se de dor abdominal. O exame físico demonstra dor à palpação profunda de mesogástrio, sem sinais de irritação peritoneal. Hemodinamicamente normal, com PA = 110x70mmHg, FC = 96 bpm, FR = 18 ipm e saturação de O2 97% em ar ambiente. A tomografia abdominal evidenciou uma lesão esplênica Grau IV, com escape de contraste em ramo polar inferior do baço, com moderada quantidade de liquido livre em cavidade peritoneal. Diante do achado tomográfico e do exame físico, qual a melhor conduta?
Trauma esplênico estável + blush na TC → Arteriografia com embolização.
A presença de extravasamento de contraste (blush) em paciente estável indica sangramento ativo que pode ser controlado via endovascular, preservando o órgão.
O manejo do trauma esplênico mudou drasticamente nas últimas décadas, priorizando a preservação do órgão para evitar complicações como a sepse fulminante pós-esplenectomia. Atualmente, mais de 80% dos traumas esplênicos fechados são manejados de forma não operatória. A tomografia computadorizada com contraste é o padrão-ouro para graduar a lesão e identificar o 'blush' arterial. Em pacientes estáveis com lesão Grau IV e escape de contraste, a arteriografia com embolização seletiva permite o controle do sangramento com alta eficácia, mantendo a função imunológica do baço. O tratamento expectante puro (apenas observação) em lesões Grau IV com blush apresenta maior risco de ruptura tardia e falha.
Segundo a classificação da AAST, a lesão Grau IV envolve a laceração de vasos segmentares ou hilares, produzindo desvascularização de mais de 25% do baço. Na tomografia, isso se traduz por grandes áreas de hematoma intraparenquimatoso ou lacerações profundas.
O TNO é a conduta de escolha para pacientes hemodinamicamente estáveis, independentemente do grau da lesão na TC, desde que não haja sinais de irritação peritoneal (sugerindo lesão de víscera oca associada). A estabilidade hemodinâmica é o fator determinante mais importante para o sucesso do TNO.
A angioembolização é um adjunto valioso ao TNO. Ela está indicada em pacientes estáveis que apresentam 'blush' (extravasamento de contraste) na TC, indicando sangramento arterial ativo, ou em lesões de alto grau (IV e V) para aumentar as taxas de salvamento do órgão e reduzir o risco de falha do tratamento conservador.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo